10.7.08

Ares e Chronos debaixo da Esfinge

Eu os vi por acaso. Ultimamente não tenho acompanhado o movimento das estrelas errantes, mas noites estreladas e sem nuvens sempre me fazem olhar para o alto. Foi então que num princípio de noite sem nuvens encontrei três pontinhos alinhados. Havia um planeta entre Regulus (a estrela mais brilhante da constelação de Leão) e Saturno. Era Marte, de passagem, que hoje estará bem perto de Saturno (do ponto de vista de nós, terráqueos). Eles estarão no oeste, pouco depois do por do Sol.



Se hoje as nuvens não deixarem, talvez amanhã. Não estarão tão distantes, mas a cada dia Marte irá se afastar mais. Saturno permanecerá mais tempo em Leão, pois sua órbita é lenta.


Passe o mouse sobre a imagem para ver o desenho da esfinge (o leão está sentado sobre os dois planetas). Imagem gerada pelo Starry Night Digital Download 6

(Se você acha que os pontos não parecem um leão de jeito nenhum, tente virar o desenho, ou leia este outro post.)

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30.6.08

10 Cenas em uma praça (únicas apresentações)


Detalhe do cartaz.

Em outubro de 2005 eu escrevi várias cenas experimentais para teatro enquanto buscava contribuir para o texto da peça Vestir o Corpo de Espinhos (uma criação coletiva produzida pelo Núcleo Experimental dos Satyros, e que esteve em cartaz em 2005 e 2006 e foi selecionada para representar o Brasil em um festival internacional de teatro na Alemanha.) Cheguei a escrever 19 cenas, e uma delas (Crepúsculo) acabou fazendo parte da peça. Na época, selecionei 12 que eu considerei as melhores cenas e publiquei no meu site.

O texto foi descoberto pelo diretor Péricles Martins que apresentou a seus alunos do curso profissionalizante da escola Recriarte / Actor Brasil. Durante o primeiro semestre deste ano eles ensaiaram 10 das 12 cenas e irão apresentá-las nos próximos dias 1o (terça) e 3 (quinta) de julho em São Paulo, às 21h. Serão as únicas apresentações.

São várias de cenas (sem ordem definida) que acontecem em uma praça, em um futuro hipotético (talvez daqui a uns 250 anos). É um mundo onde os espaços são monitorados mas há falhas e a praça - onde acontecem as cenas - é um desses lugares. As personagens vivem situações que são metáforas do presente, de valores, de temores ou de mitos. Falam de liberdade, de sonhos, de lembranças, de amor, de morte e de solidão, às vezes nas entrelinhas.

Eu pretendo assistir às duas apresentações. Quem estiver em São Paulo e quiser assistir está convidado. Seguem os detalhes abaixo.

10 cenas em uma praça (daqui a 250 anos)
Direção: Péricles Martins
Texto: Helder da Rocha
Realização: Actor Brasil / Escola Recriarte.
Elenco: João Ramos, Luciana Lima, Michele Moreira, Regina Schirmer, Sueli Rodrigues (curso profissionalizante intensivo, turma Sergio Viotti).
Local: Actor Espaço Teatral. Rua Fradique Coutinho, 994, Vila Madalena. 100 lugares. Tel.: (11) 3034-5598 / 3817-4222.
Data e Hora: dias 1o (terça) e 3 (quinta), às 21:00
Ingresso: 1kg de alimento não perecível ou R$5,00 (Campanha Social)

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15.12.07

O que é um plágio?

Se eu escrevo um texto, baseando-me em informações obtidas em fontes de domínio público, encontradas em enciclopédias e textos históricos sobre fatos que todos conhecem, sem acrescentar nenhuma pesquisa original, análise crítica ou conclusão, mas organizando as informações que eu considero mais relevantes dessa pesquisa, usando palavras, pontuação, ordem dos assuntos e ênfases escolhidas por mim, e ainda citando todas as fontes, esse texto é:
  1. Um plágio das fontes originais ou enciclopédicas onde eu o pesquisei?
  2. Um texto de domínio público que pode ser reproduzido livremente sem citar o autor (autor ou organizador?), já que não traz nenhuma informação, dado ou conclusão original?
  3. Um texto original que, apesar de não trazer nenhuma informação ou visão nova sobre o assunto, apresenta as informações sob uma forma própria, escolhida pelo autor, guiado pelo que ele considera importante?
Pesquisando nestas fontes eu escrevi este prefácio para uma tradução, em 1998. As fontes continham informações contraditórias, já que tratam da história de personagem histórico que viveu há mais de 700 anos e do qual não se possui dados precisos. Analisando as várias fontes, eu escolhi as que me pareceram mais coerentes (embora não tenha certeza e possa estar errado) e elaborei um roteiro que utilizei para escrevê-lo. Várias fontes estavam em outras línguas, principalmente inglês. O prefácio é uma biografia de Dante Alighieri. A partir do roteiro, eu escrevi, rescrevi, escolhi as palavras, as vírgulas, os parágrafos, e produzi o texto do qual o parágrafo abaixo foi extraído.
A maior parte do poder em Florença estava então nas mãos dos guelfos - opositores do poder imperial. Mas o partido em pouco tempo se dividiu em duas facções. A causa foi novamente uma rixa entre famílias, desta vez, importada da cidade de Pistóia. Os Cancellieri era uma grande família de Pistóia, descendentes de um mesmo pai que tivera, durante sua vida, duas esposas. A família Cancellieri se dividiu quando um membro desajustado da família assassinou o tio e cortou a mão do primo. Os descendentes da primeira esposa do Cancellieri, que se chamava Bianca, decidiram se apelidar de Bianchi. Os rivais, que defendiam o jovem assassino, se apelidaram de Neri (negros) em espírito de oposição. A briga tomou conta de Pistóia e a cidade acabou sofrendo intervenção de Florença, que levou presos os líderes dos grupos rivais. Mas as famílias de Florença não demoraram a tomar partido e, por causa de uma briga de rua (...)
A seguir explicarei os negritos.

Anos depois, foi publicado numa edição especial sobre Dante Alighieri da revista Entre Livros (que aparentemente deixou de circular mês passado), um texto sobre a vida de Dante, assinado pelo professor Dr. Carlos Berriel, PhD, da Unicamp. O texto é três vezes maior que o meu, mas tem vários parágrafos semelhantes, como este, por exemplo:
A maior parte do poder em Florença estava então nas mãos dos guelfos - opositores do poder imperial. Mas o partido em pouco tempo se dividiu em duas facções. A causa foi uma rixa entre famílias, oriundas da cidade de Pistóia. Os Cancellieri eram uma grande família dessa cidade, descendentes de um mesmo pai que tivera, durante sua vida, duas esposas. A família Cancellieri se dividiu quando um membro desajustado da família assassinou o tio e cortou a mão do primo. Os descendentes da primeira esposa de Cancellieri, que se chamava Bianca, decidiram chamar a si mesmos de Bianchi. Os rivais, que defendiam o jovem assassino, passaram a se identificar como Neri (negros), em espírito de oposição. O conflito tomou conta de Pistóia, e a cidade acabou sofrendo a intervenção de Florença, que prendeu os líderes dos grupos rivais. Mas as famílias de Florença não demoraram a tomar partido, posicionamento deflagrado por uma briga de rua (...)
Sim. Os negritos são as únicas diferenças. O texto publicado na Entre Livros foi revisado e (pelo menos este parágrafo) foi corrigido e melhorado em relação ao que eu publiquei no site. Não é apenas um parágrafo semelhante que aparece no artigo publicado na Entre Livros. 80% do meu texto foi usado. Eu publiquei uma comparação e destaquei os trechos semelhantes.

Escrevi um post na época e enviei uma carta para a editora, para o autor, e para a Unicamp, onde o autor é professor. Recebi resposta da editora (e indiretamente do autor), que publiquei neste outro post. Isto faz quase um ano. Há poucos dias recebi a seguinte resposta da reitoria da Unicamp, reproduzida abaixo:
Assunto: Denúncia de Plágio
De: Laisez Jael Cabral Puya Ernandes (email omitido)
Data: 12 de dezembro de 2007, 09h22
Para: Helder da Rocha (email omitido), ‘Ranali’ (email omitido)

Prezado Senhor Helder

De ordem do Sr. Chefe de Gabinete informo que:

Após submeter sua denúncia a nossa Procuradoria Geral, a mesma manifestou-se:
“Pelo exposto detalhadamente até aqui, a Comissão, diante de todo o apurado, conclui que o princípio da anterioridade do escrito apontado como reproduzido se justificaria se o autor pudesse comprovar ou esclarecer, sem qualquer dúvida, que é o criador original dos dados ou informações contida em seu texto. Havendo a coincidência informal e textual de dados bibliográficos a respeito de Dante, tal fato não parece, a nosso ver, ferir propriedades autorais reclamadas por Helder Rocha. Assim, em vista de todo o apurado, não julgamos consistente e clara a configuração de contrafação literária no caso da denúncia em tela”.

Na oportunidade colocamo-nos à disposição.

Atenciosamente

Laisez Ernandes
Assist. Chefe de Gabinete
O grifo é meu.

Se eu entendi a carta, de acordo com as conclusões da comissão formada pela Unicamp para analisar o assunto, o ocorrido não se trata de um plágio porque eu realmente não sou o criador original dos dados e informações que ali estão e eu não descobri novos fatos da história da Itália ou de Dante. Isto [e verdade. Todas as informações que eu usei eram conhecidas. Eu sou o criador original do texto, da forma de apresentar esses dados e informações. Copiar e assumir a autoria de um texto existente que traz informações que todo mundo já sabia não é considerado plágio?

Ou eu não sei o que é plágio ou a Unicamp não sabe o que é plágio. O que é plágio, afinal? Alguém tem uma definição? Eu posso recortar e colar trechos inteiros de um artigo da Enciclopédia Brittanica (que fale de assunto de conhecimento geral) assinar como sendo de minha autoria e incluir na minha tese de doutorado? Será que isto vale para qualquer universidade, ou somente se eu fizer meu doutorado na Unicamp?

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29.11.07

El Truco: últimas apresentações



O escritor inventou tudo, inclusive a si próprio. O bunker era imaginário, assim como os nomes dos atores, das personagens e das pessoas que inventavam os nomes das personagens. Eram reais apenas seus instintos primitivos, o medo, o amor, o ódio, o riso, a dor, a luxúria, o sonho e a loucura, a vida e a morte. A peça em si foi uma grande farsa, um ensaio interminável ou um delírio coletivo.

Mas faça de conta que existe uma peça. Faça de conta que existe um livro. Faça de conta que você existe, e que sabe quem é realmente. Faça de conta que é tudo verdade e que o bunker é um espelho. Veja seu rosto refletido. O reflexo é um truque: é apenas um raio de luz. A noite clara faz sonhar com a floresta. Quando acordar verá que são apenas atores.

O casamento nunca aconteceu. O duende nunca ganhou seu papel. A guerra nunca terminou e na fuga ninguém sobreviveu. A peça nunca sequer começou.

É um espelho. Um truque de luz, uma brincadeira. Assista El Truco, mas não leve muito a sério. Espaço dos Satyros Dois, Praça Roosevelt 134, Centro. Domingos dias 02, 09 e 16 de dezembro às 18 horas. Ingresso: 5 a 20 reais.

A história continua dentro da coxia.

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21.7.07

Lançamentos

Eu li Virgínia Berlim, de Luís Biajoni. É ótimo. Escrevi um post mas acabei não publicando. Vou publicar na semana que vem junto com outro post inédito que escrevi há séculos sobre outro e-book (um livro de contos) de Alex Castro. Hoje tem lançamento em São Paulo de três livros, dois do Alex e um do Biajoni. Um dos livros é intangível, mas vai ser lançado mesmo assim. Apesar de intangível é legível. Você pode assistir ao trailer do livro lendo este blog.



Ah, também existe um trailer de Virgínia Berlim, que foi escrito como um livro mas que ao ser lido flui como um filme ou uma peça de teatro. E que tem uma ótima trilha sonora!

Ainda não li as crônicas cubanas - o tal livro intangível, que Alex escreveu durante uma viagem a Cuba no mês passado. As crônicas libertinas são ótimas. O livro é uma boa introdução ao blog Liberal Libertário Libertino, que tem várias outras pérolas nunca publicadas como As Prisões.

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19.6.07

Júpiter e o Escorpião

Uma das constelações mais fáceis de identificar é a constelação de Escorpião. É uma das poucas que realmente parece com o animal que representa. Nesta época do ano ela estará no céu durante a noite inteira. E se você encontrar o Escorpião, também encontrará o planeta Júpiter, que atualmente está bem próximo. Talvez seja até mais fácil fazer o contrário. Procurar por Júpiter - o astro brilhante que nasce no leste quando o Sol de põe no oeste - e depois tentar identificar o Escorpião. Se você estiver em uma cidade muito iluminada, espere até um pouco mais tarde, depois das nove ou dez horas da noite. Se não houver nuvens deve ser fácil identificá-lo perto do zênite (às vezes é até mais fácil do que na zona rural, pois as estrelas visíveis são as que dão a forma do o escorpião).

Veja a imagem abaixo e depois tente localizar o escorpião no céu. Passe o mouse sobre a imagem para ver como ligar os pontos.


Passe o mouse sobre a imagem para ver o escorpião

Mas não confunda Júpiter com Vênus. Ambos brilham bastante (são os astros mais brilhantes do céu depois da Lua), porém Júpiter está nascendo no leste enquanto Vênus está se pondo no oeste.

Se você procurar por Vênus hoje, irá encontrá-lo perto da Lua, e poderá aproveitar para também identificar o planeta Saturno, que está próximo. Procure a Lua no horizonte por volta das sete horas da noite ou mais tarde. Um pouco abaixo, há um astro muito brilhante que é Vênus. Entre Vênus e a Lua há outro astro brilhante, porém de menor intensidade. É Saturno. Se não houver nuvens, dá para vê-los até mesmo em uma cidade iluminada como São Paulo.


Esta imagem é válida para o dia 19 de junho. No dia seguinte a Lua estará um pouco mais distante.

A imagem acima vale para o dia 19 de junho, mas nos outros dias do mês, Vênus irá se mover muito pouco em relação a Saturno. A Lua é que não estará mais lá. Em julho, por volta do dia 17, haverá nova conjunção de Vênus com a Lua crescente, que estará mais próxima dos dois planetas.

Finalmente, no dia 28 de junho, a estrela brilhante que estará próxima da Lua quase cheia será Júpiter.

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9.5.07

Um mundo perfeito

"Rivalizamos com os melhores sistemas [de controle de tráfego aéreo] do mundo, como o dos Estados Unidos." Waldir Pires, ministro da defesa (outubro/2006)
É perfeito. A aeronáutica vive afirmando que o sistema de controle de tráfego aéreo no Brasil é confiável. O governo, incapaz de qualquer auto-crítica, defende a aeronáutica que certamente sabe do que diz. Veja! Os vôos não estão atrasando! Está tudo sob controle. Quem disse que o risco de haver outro caos é iminente? Desde o acidente da Gol o que foi feito para melhorar o sistema de controle de tráfego aéreo. Nada, ora. Mas por que? Porque não precisa! É um dos melhores do mundo. Rivaliza com o dos Estados Unidos. Para que mudar se está funcionando?

Ah, tem uma CPI. Talvez, quem sabe, ela consiga atiçar os demônios e agitar o limbo.

A Polícia Federal finalmente concluiu a tão esperada investigação sobre as causas do acidente da Gol e encontrou os dois tão esperados culpados. Quem? Os pilotos norte-americanos Joe Lepore e Jan Paladino, é claro. Quem mais? O inquérito sairá nos próximos dias, pois está sendo no momento cuidadosamente redigido pelo delegado Ronaldo Sayão. A informação saiu ontem e está no blog de Josias de Souza.

A notícia surpreende? Que nada! Desde o início das investigações a Polícia Federal tem demonstrado a intenção de condenar os pilotos como únicos responsáveis pelo acidente, independente de quaisquer provas e evidências contrárias. Nem mesmo as gravações da caixa-preta do Legacy foram suficientes para sequer desviar o rumo do inquérito. Bem antes a Polícia Federal já havia indiciado os dois pilotos por homicídio culposo, no dia em que foram autorizados a deixar o país.

No artigo Investigação sobre acidente aéreo aponta que torre errou, publicado na Folha no final do ano passado, Eliane Cantanhêde comenta trechos da caixa-preta do Legacy onde fica clara a dificuldade de comunicação entre os pilotos e o controle de vôo (que mal sabe falar inglês). Também revela que
"A torre de controle de vôos de São José dos Campos (SP) autorizou os pilotos do Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, a voar na altitude de 37 mil pés até o aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, apesar de essa altitude ter se tornado "contramão" na rota após Brasília -- e onde estava o Boeing-737 da Gol atingido e derrubado no choque com o jato da Embraer.
Ou seja, a torre claramente autorizou o piloto a subir a 37 mil pés, "até o aeroporto Eduardo Gomes", de Manaus, contrariando o plano de vôo original. No último contato do Legacy com a torre, o piloto Lepore informou que estava a 37 mil pés e desejou "boa tarde" em inglês, ao que o controlador de plantão respondeu que apertassem o botão do transponder, e desejou boa viagem. O botão do transponder não funcionou.

O delegado Sayão havia comentado sobre as gravações dos controladores (antes delas sairem na imprensa) que elas "não levam à conclusão nenhuma." (Folha, 1/11/2006)

Os controladores não sabem falar inglês. O que acontece quando uma pessoa insegura no inglês é questionada por outra segura no idioma? A pessoa insegura pode admitir que não conhece bem a língua e pedir esclarecimentos sobre as questões que não compreender, e só responder sim ou não tendo certeza do que está dizendo. Mas, e se a pessoa for insegura e não puder admitir que não conhece a língua (tipo, um controlador de vôo inexperiente, pressionado por superiores militares)? Ela vai fazer de conta que entendeu e responder rapidamente? Existe o risco dos dois lados acharem que entenderam coisas diferentes? Talvez não; eu estou só viajando. Os caras são experientes. São bem treinados. Falam inglês como ninguém.

Então, para o governo está tudo sob controle (claro, o competentíssimo Waldir Pires está lá ainda!) E para a Polícia Federal o sistema de controle de tráfego aéreo brasileiro não tem responsabilidade nenhuma, nenhuma no acidente. A culpa só podia ser dos americanos.

Mas falando sério, por um instante, isto tudo nos traz insegurança. Não só a insegurança de voar em um espaço aéreo gerenciado por uma instituição incompetente (e pior, incapaz de admitir sua incompentência para pelo menos buscar melhorar), mas também a insegurança de viver num país onde a Polícia Federal pode conduzir investigações fictícias e guiar os resultados para onde bem entender.

Hoje eu ia escrever ficção para tirar este blog do marasmo, mas estava com idéias muito sérias, e a realidade me pareceu muito mais absurda e inacreditável.

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2.3.07

Combustão

Meu computador morreu de auto-combustão. Ele já matava ácaros, formigas e até bichos maiores. Não chegou a cuspir fogo. Um dia, não agüentando o calor das terras gaúchas, teve um derrame digital. Seus semicondutores não agüentaram e dilataram. Ficou lerdo como lesma e passou a atormentar o disco que surtou várias vezes em telas azuis. Tive tempo para salvar os dados, mas os programas foram junto com as senhas que não lembro, marcadores e outras coisas. Mas estou em outra máquina. É emprestada, mas os posts vão voltar.

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14.2.07

Resposta da editora

Eu enviei na segunda-feira o email abaixo para a editora EntreLivros.
----- Original Message -----
From: Helder da Rocha
To: jaguiar@duettoeditorial.com.br
Sent: Monday, February 12, 2007 2:11 AM
Subject: A Entre Livros publicou um texto plagiado

Prezado Editor,

O texto publicado entre as páginas 6 e 13 da edição especial Entre Classicos sobre Dante Alighieri, assinado pelo professor doutor Carlos Eduardo O. Berriel, PhD, contém parágrafos inteiros retirados do meu texto "Dante Alighieri", uma minibiografia do poeta que faz parte da minha tradução em prosa do Inferno e Purgatório disponíveis desde 1999 na Web brasileira. O meu site é a principal referência em português sobre Dante (verifique pesquisando no Google).

Verifiquei que o professor utilizou-se de 80% do meu texto para compor 1/3 do seu artigo. A utilização foi não autorizada, não cita a fonte e contém não apenas as idéias do texto mas as mesmas seqüências de palavras, pontuação, e parênteses com pequenas variações na ordem dos parágrafos e escolha de sinônimos.

Eu disponibilizei, na Internet, uma página para a comparação dos dois textos, onde o Sr. poderá verificar a semelhança. O link é http://www.helderdarocha.com.br/blog/comparacao.html. Eu já divulguei esse link para várias pessoas (jornalistas, acadêmicos, cineastas, escritores) que conhecem meu site desde que foi criado, e tenho como provar que meu texto foi escrito antes.

Espero providências da revista quanto a ssa situação. Este email tem a finalidade apenas de informá-lo(s) a respeito.

Atenciosamente,

Helder da Rocha

E obtive como resposta um e-mail que contém uma resposta do professor Carlos Berriel ao editor da série EntreClássicos, Manuel da Costa Pinto. O e-mail está parcialmente reproduzido abaixo:

Prezado Helder,
(... trechos omitidos ...)
Abaixo, reproduzo o e-mail que o prof. Berriel, que está fora do país, enviou a Manuel da Costa Pinto. (...)
Joselia Aguiar
Editora
EntreLivros

Caro Prof.Manuel,
lido o material que voce me enviou, e numa resposta imediata, longe que estou de meus materiais (estou fora do pais) posso responder o seguinte:
1) o leitor tem parcialmente razao em suas queixas.
2) utilizei-me de suas informacoes basicas sobre datas e algumas passagens da vida de Dante, como alguem que se utiliza de um verbete de enciclopedia para um artigo de imprensa. As informacoes utilizadas, entretanto, nao sao produto de uma investigacao original por parte do leitor, mas fazem parte de um patrimonio cultural acumulado nos ultimos muitos seculos, pelo menos desde a biografia de Dante publicada, ainda no seculo XIV, por Bocaccio, e incessantemente enriquecida pela tradicao de pesquisa sobre vida e obra dantesca. Este material foi igualmente extraido, pelo leitor justamente queixoso, deste acervo, e nao poderia proceder de outra forma. Seria muito dificil, por exemplo, escrever de uma forma original que Dante foi apaixonado por Beatriz, e que a viu pela primeira vez aos 9 anos, e pela segunda vez depois de outros 9 anos.A leitura de meu artigo indica que seu cerne e possivel interesse està na parte nao exclusivamente informativa, mas que sugere uma compreensao do sentido cultural da vida do poeta. Meu artigo, lido isentamente, està na parte nao reclamada.
3) Entretanto, acredito que involuntariamente causei desconforto ao leitor, pelo que lamento profundamente.
Atenciosamente,
Carlos Berriel

O que vocês acham? Mais tarde escreverei mais sobre este assunto. Estou sem tempo agora.

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9.2.07

Ei, esse texto é meu!


Falsários na décima vala do oitavo círculo do Inferno, por Gustave Doré

"Vimos dois pecadores sentados, um de costas para o outro, com os corpos totalmente cobertos de sarnas. Eles se coçavam freneticamente, afundando suas unhas na pele e tentando, em vão, atenuar a coceira que nunca cessava." (Inferno, Canto XXIX - oitavo círculo, vala dos falsários)
Eu acho que muitos de vocês sabem que eu tenho um site sobre Dante Alighieri, onde publiquei uma tradução em prosa (ou adaptação, versão, como quiser chamar) dos dois primeiros livros da Divina Comédia, que eu fiz de 1998 a 2000. O site não tem só as traduções mas também notas, imagens, desenhos, e outros textos que escrevi durante a pesquisa. Apesar de ter iniciado o trabalho sem grandes pretensões, eu o levei a sério, pesquisei em vários livros, traduzi do inglês, do italiano, e revisei várias vezes. Caprichei também no site, na navegação, na estrutura, usando os melhores recursos que havia na época (não mudei nada desde 2000).

Nunca terminei a Divina Comédia, mas nesses sete anos o site atraiu inúmeros visitantes. Recebi centenas de e-mails de estudantes, pesquisadores, produtores de cinema, promotores de eventos culturais, jornalistas, escritores. Pode ser que seja “apenas mais uma” tradução em prosa, mas não é igual às outras. Estudei e procurei ser fiel ao autor, dentro das possibilidades de uma obra em prosa. Enviei para seis editoras. Tive resposta negativa de duas, e as outras nunca responderam. Ano passado disponibilizei em formato PDF online para quem quisesse baixar e imprimir. O Inferno tem em média 1000 downloads por mês, e o Purgatório pouco mais que a metade disso. O site é a principal referência sobre Dante e sua obra em português, e foi a primeira tradução em português publicada a Internet. Digite “Dante” ou "Dante Alighieri" no www.google.com.br e meu site é o segundo link (o primeiro é da Wikipedia, que cita meu site). Digite “Divina Comédia” e é o primeiro link.

Hoje eu apenas mantenho o site no ar. Já pensei em terminar, em rescrever tudo, em fazer o Paraíso. Talvez aconteça, mas não vai ser tão cedo (talvez com um estímulo - tipo uma editora interessada - as coisas mudem). Mas ainda me interesso sobre o que falam do site. Enquanto esperava um vôo atrasado há duas semanas, achei uma edição especial da revista Entre Livros sobre Dante, com artigos biográficos, textos sobre suas obras, influência nas artes, traduções, livros. Logo comprei a revista e passei a folheá-la para procurar alguma referência ao meu site, uma recomendação, quem sabe uma crítica de uma ou duas frases. Nada. Talvez eles não usem a Internet ou o Google; ou talvez minha tradução seja mesmo muito "mundana". Já é ruim o suficiente ser em prosa e não verso como o original. Não ser tradução direta do original e nunca ter sido publicada em papel deve selar a sentença: não é boa o suficiente para uma revista tão séria. Ah, eu não gosto mesmo de textos sérios; são muito chatos. Mas eu não acredito que os autores que escreveram na Entre Livros sobre Dante não tenham pesquisado no meu site. Duvido que não tenham pelo menos passado por lá!

Mas por que será mesmo que eu estou escrevendo este post? Ora, porque eu me enganei! Um dos meus textos está lá nessa revista, publicado, impresso! Tudo bem, está em pedaços, misturado com outras palavras. Oh, até que meus textos não são tão ruins assim!

Hmmm, mas tem algo errado: o meu nome não é... Carlos. Nunca orientei alunos de mestrado e não me recordo de ter dado aulas de literatura na Unicamp. Também não me lembro de ter sido convidado pra escrever uma biografia sobre Dante. E se tivesse, jamais utilizaria este texto que escrevi há sete anos. De 2000 para cá eu aprendi a escrever bem melhor, mergulhei nos universos de inúmeros autores, filósofos, dramaturgos loucos e escritores malditos, viajei para dois outros continentes, descobri o teatro, já passei da "metade do caminho da nossa vida" e descobri meus próprios infernos e purgatórios. Sou outra pessoa. Não escrevo igual. Hoje tenho um distanciamento para escrever sobre Dante que eu não tinha na época. Se hoje eu fosse convidado para escrever uma biografia de Dante Alighieri, eu certamente escreveria um artigo muito melhor, mais bem humorado e bem mais interessante que esse.

Ah, mas não seria publicado. Seria insuficientemente sério. E eu com certeza arancaria fora do artigo a maior parte das datas e outros detalhes irrelevantes.

Não fui mesmo eu quem escreveu. O autor é outro. Tem as credenciais acadêmicas que eu não tenho. Ele é professor da Unicamp: Carlos Eduardo O. Berriel, PhD. Não, não é verdade que ele publicou meu artigo como sendo dele. Ele apenas utilizou quase 80% de minhas palavras e frases para compor 33% do artigo que leva a sua autoria na revista, que não faz nenhuma menção ao meu site. Ele “melhorou” o texto com datas, datas, detalhes, detalhes, palavras mais bonitas! Mudou também a ordem das frases (ah, mas acho que isto não funcionou direito, professor: o senhor acabou misturando dois conflitos e confundindo guelfos negros e brancos com guelfos e guibelinos!)

Eu tinha que me divertir um pouco com isto, mas agora chega de ironias. O post de hoje não é ficção. Eu sou (ou fui, sei lá) um tradutor de Dante, por mais que alguém questione o método, ou a qualidade do que escrevi. Não ter sido publicado em meio impresso é detalhe irrelevante. Eu também sou escritor e pesquisador. Para escrever os prefácios, as biografias, as notas, eu pesquisei em várias fontes (e as citei) e escrevi os textos com minhas próprias palavras, destacando as citações entre aspas ou em blocos anotados. O texto que foi copiado, foi publicado na Internet em 1999 e provavelmente visto mais vezes que o prefácio de uma tradução impressa (o site foi acessado centenas de milhares de vezes desde 2002). Para mim (e para a Lei de Direitos Autorais) copiar da Web é a mesma coisa que copiar de um texto impresso. Além disso, é muito feio copiar coisas dos outros e dizer que são suas (desde pequeno eu aprendi a não fazer isto). E é pecado também: garante um lugar no penúltimo círculo do inferno de Dante, bem perto do diabo.

Ainda não sei o que vou fazer sobre isto. Há sete anos eu pago para manter o site sobre a Divina Comédia no ar para as pessoas terem acesso aos meus textos de graça, e não gostei de ver coisas que eu escrevi publicadas numa revista impressa, paga, sem citar minha autoria. O mínimo que eu espero é que a revista Entre Livros corrija esse erro. E professor Carlos Berriel, independente da explicação que o senhor vai me dar (que o senhor se enganou, que foi outra pessoa que escreveu o texto), o senhor me deve - no mínimo - um pedido de desculpas público.

Eu transcrevi (sem autorização) o texto do professor Carlos Berriel publicado na Entre Livros, e o publiquei uma comparação com os dois textos lado a lado, para quem quiser avaliar as semelhanças. O que vocês acham? Será que eu estou exagerando?

Atualização

Segui as sugestões do Alex e enviei e-mail para a editoria da revista e para a reitoria da Unicamp (se um pesquisador doutor da Unicamp faz pesquisa com cut-and-paste, o que se pode esperar das teses de doutorado dos seus orientandos?). Um comentarista anônimo me sugeriu o Internet Archive, onde pude comprovar a existência do texto pelo menos desde 2004 (mudei de site 3 vezes desde 2000). Não tenho registro na Biblioteca Nacional para esse texto, mas eu enviei cópias impressas para acadêmicos, escritores, cineastas, jornalistas, desde 2000. Não consegui enviar email para o Carlos Berriel ou para qualquer pessoa do IEL (Instituto de Estudos da Linguagem) da Unicamp. O site parece estar fora do ar. Seguem os links.

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25.12.06

O Blogger é o Grinch

Não publiquei as historinhas assustadoras de Natal porque o Blogger não deixou. O Blogger.com migrou (ou está migrando) para uma nova versão, e no último dia 25 eu converti o sistema antigo para o novo, que até então era chamado Beta (não é mais.) Não foi o melhor dia e hora para fazer isto. Os programas devem ter confundido meu usuário e senha do Google com os dados do Blogger, e me vetaram a entrada. Passei uns dias sem acesso mas agora tudo (aparentemente) está normal.

Mas não vou publicar nada hoje (tenho que pegar um ônibus para o litoral). O destino não quis que eu assombrasse o Natal de 2006, mas estarei de volta em 2007 com mais viagens.

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17.12.06

Somente hoje



Haverá mais um ensaio aberto da peça Prólogo no Bunker, inspirada em Sonho de uma Noite de Verão de Shakespeare, e produzida pelo Núcleo Experimental dos Satyros.

Direção: Roberto Audio
Elenco: Alessandra Souza, Andressa Cabral, Ana Lucia Felipe, Ana Karina Linhares, Ana Pereira dos Santos, Angela Ribeiro, Fabiana Souza, Helder da Rocha, Luis Paulo Maeda, Peterson Ramos, Ricardo Socalschi, Teka Romualdo, Thammy Alonso, Wagner Mendonça, Wanderley Firmino, Washington Calegari.

Domingo 17 de dezembro, às 23 horas, no Espaço dos Satyros 2 (Praça Roosevelt, 124). (11) 3258-6345. Capacidade: 60 pessoas. Duração aproximada: 1 hora.

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2.12.06

Vista o corpo de espinhos



Domingo (amanhã) eu farei minha última participação como ator na peça Vestir o Corpo de Espinhos, que está em cartaz no Espaço dos Satyros I. A peça voltou depois que retornamos da Alemanha mas com outro elenco e minha participação normalmente resume-se à executar parte da trilha sonora em acordeón e piano. Mas domingo irei subtituir um ator e atuar em três cenas da peça representando uma das personagens que criei no texto Crepúsculo (que agora faz parte do texto da peça, criado coletivamente). Quem quiser e puder ir, me avise ou ligue para os Satyros para garantir lugar (o teatro é pequeno, a disposição dos assentos foi alterada e cabem apenas 40 pessoas).

É uma pessa impressionista. Eu já escrevi sobre ela neste outro post. As imagens acima são do vídeo da peça gravado por Carlos Ebert, com o elenco original, que foi usado para nossa inscrição no festival Play-off/06, na Alemanha.

Vestir o Corpo de Espinhos
Domingos, dia 3 e 10, 18h.
Espaço dos Satyros 1. Praça Roosevelt, 214. (11) 3258-6345.
R$ 20 (desconto de 50% para estudantes).
Duração aproximada: 40 minutos.
Estacionamento em frente ao teatro.

Ficha Técnica:
Elenco: Ana Karina Linhares, Ana Lúcia Felipe, Ana Pereira dos Santos, Andressa Cabral, Angela Ribeiro, Fabiana Souza, Helder da Rocha, Paulo Maeda, Peterson Ramos, Ricardo Socalschi, Teka Romualdo, Wagner Mendonça, Wanderley Safir, Washington Calegari.
Texto: Criação coletiva.
Dramaturgia e figurino: Núcleo Experimental dos Satyros, Rita Fernandes e Regina Ciampi.
Piano, acordeón e trilha sonora original: Helder da Rocha
Direção: Alberto Guzik
Cenários e objetos de cena: Fabiana Souza, Rita Fernandes, Helder da Rocha e Regina Ciampi.
Produção visual: Angela Ribeiro.
Operador de Luz: Peterson Ramos
Operador de som: Andressa Cabral

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3.11.06

Satyrianas



Ontem começaram as Satyrianas – o evento anual promovido pelo teatro dos Satyros. O evento geralmente na semana que dá início à primavera, mas este ano, a prefeitura não autorizou o evento - que dura 78 horas ininterruptas - e ele acabou não acontecendo em setembro.

Participam do evento os dois espaços dos Satyros, o espaço dos Parlapatões, o Next, a Compania do Feijão, o Teatro Fábrica São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade. Há uma vasta programação cultural que envolve 46 espetáculos teatrais, saraus poéticos e literários, shows, intervenções teatrais, oficinas, teatro de rua, uma peça de 78 horas de duração (o Uroborus), um festival de curtas e outras coisas que não lembro agora.

A abertura aconteceu no teatro dos Parlapatões na praça Roosevelt, onde o Mário Bortolotto cantou umas músicas e depois iniciou, com a atriz Helena Ignez, o Uroborus.

É a segunda vez que acontece o Uroborus nas Satyrianas. Eu participei dele no ano passado e escrevi um post. O esquema é o mesmo: 78 duplas revezam-se e interpretam o mesmo texto, inventam, criam, e fazem qualquer coisa para que a peça não pare e que continue interessante. Este ano vou participar e entrarei em cena às 7 horas da manhã de sábado (amanhã, eu creio – eu estou meio desorientado). O texto é outro (chama-se Ai de Mim, e agora, neste momento, ai de mim, não lembro do nome do autor – depois eu atualizo isto). Recebi o texto ontem, é enorme, não sei o que vai ser dele, mas prometo que farei o melhor teatro para os corajosos que por acaso aparecerem na platéia.

As Satyrianas é uma ótima oportunidade para quem ficou em São Paulo no feriado e sabiamente evitou os aeroportos e as estradas. As peças custam o valor que você quiser pagar. E são ótimas peças que geralmente custam de 15 a 35 reais. A qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada acontece alguma coisa. É um programa ótimo para os insones. A programação está disponível no site dos Satyros.

Do Núcleo Experimental dos Satyros haverá duas peças. Chico em Obras (sábado, 16 horas), produzido pelos oficineiros dos Satyros de 2005, é uma peça inspirada nas músicas e peças de Chico Buarque. A apresentação nas Satyrianas é única pois a peça saiu de cartaz no ano passado. Vestir o Corpo de Espinhos (domingo, 17 horas) foi produzida pelo Núcleo no ano passado e representou o Brasil no festival Play-off/06 na Alemanha. Voltou neste segundo semestre com novo elenco. Eu participei da criação do texto da peça, fiz objetos usados em cena e compus a trilha sonora original. Nesta temporada participo tocando acordeón e piano. Excepcionalmente nas Satyrianas eu estarei também atuando como um personagem cego.

Há mais sobre as Satyrianas no site dos Satyros, no blog do Ivam Cabral e no portal de teatro do UOL (que ainda não foi inaugurado oficialmente, mas que já tem conteúdo).

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4.10.06

Call me Ishmael

Capa do Audio Book da Penguin Classics

Estou lendo Moby Dick, de Herman Melville através do serviço Daily Lit, que envia livros para o seu e-mail em fragmentos diários. Descobri o serviço através do blog do Alexandre Soares Silva. O serviço é gratuito e tem vários livros disponíveis. Você se cadastra e escolhe os livros que quer receber, e a periodicidade. Os livros não são necessariamente enviados por capítulo. Se você ler um trecho e quiser continuar, não precisa esperar até o dia seguinte e pode solicitar o próximo imediatamente.

Eu li uma tradução em português de Moby Dick quando tinha 13 anos, mas nunca tinha lido o original em inglês. Adoro a forma como Melville forma imagens com palavras. Parece um filme.

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