O que é um plágio?
- Um plágio das fontes originais ou enciclopédicas onde eu o pesquisei?
- Um texto de domínio público que pode ser reproduzido livremente sem citar o autor (autor ou organizador?), já que não traz nenhuma informação, dado ou conclusão original?
- Um texto original que, apesar de não trazer nenhuma informação ou visão nova sobre o assunto, apresenta as informações sob uma forma própria, escolhida pelo autor, guiado pelo que ele considera importante?
A maior parte do poder em Florença estava então nas mãos dos guelfos - opositores do poder imperial. Mas o partido em pouco tempo se dividiu em duas facções. A causa foi novamente uma rixa entre famílias, desta vez, importada da cidade de Pistóia. Os Cancellieri era uma grande família de Pistóia, descendentes de um mesmo pai que tivera, durante sua vida, duas esposas. A família Cancellieri se dividiu quando um membro desajustado da família assassinou o tio e cortou a mão do primo. Os descendentes da primeira esposa do Cancellieri, que se chamava Bianca, decidiram se apelidar de Bianchi. Os rivais, que defendiam o jovem assassino, se apelidaram de Neri (negros) em espírito de oposição. A briga tomou conta de Pistóia e a cidade acabou sofrendo intervenção de Florença, que levou presos os líderes dos grupos rivais. Mas as famílias de Florença não demoraram a tomar partido e, por causa de uma briga de rua (...)A seguir explicarei os negritos.
Anos depois, foi publicado numa edição especial sobre Dante Alighieri da revista Entre Livros (que aparentemente deixou de circular mês passado), um texto sobre a vida de Dante, assinado pelo professor Dr. Carlos Berriel, PhD, da Unicamp. O texto é três vezes maior que o meu, mas tem vários parágrafos semelhantes, como este, por exemplo:
A maior parte do poder em Florença estava então nas mãos dos guelfos - opositores do poder imperial. Mas o partido em pouco tempo se dividiu em duas facções. A causa foi uma rixa entre famílias, oriundas da cidade de Pistóia. Os Cancellieri eram uma grande família dessa cidade, descendentes de um mesmo pai que tivera, durante sua vida, duas esposas. A família Cancellieri se dividiu quando um membro desajustado da família assassinou o tio e cortou a mão do primo. Os descendentes da primeira esposa de Cancellieri, que se chamava Bianca, decidiram chamar a si mesmos de Bianchi. Os rivais, que defendiam o jovem assassino, passaram a se identificar como Neri (negros), em espírito de oposição. O conflito tomou conta de Pistóia, e a cidade acabou sofrendo a intervenção de Florença, que prendeu os líderes dos grupos rivais. Mas as famílias de Florença não demoraram a tomar partido, posicionamento deflagrado por uma briga de rua (...)Sim. Os negritos são as únicas diferenças. O texto publicado na Entre Livros foi revisado e (pelo menos este parágrafo) foi corrigido e melhorado em relação ao que eu publiquei no site. Não é apenas um parágrafo semelhante que aparece no artigo publicado na Entre Livros. 80% do meu texto foi usado. Eu publiquei uma comparação e destaquei os trechos semelhantes.
Escrevi um post na época e enviei uma carta para a editora, para o autor, e para a Unicamp, onde o autor é professor. Recebi resposta da editora (e indiretamente do autor), que publiquei neste outro post. Isto faz quase um ano. Há poucos dias recebi a seguinte resposta da reitoria da Unicamp, reproduzida abaixo:
Assunto: Denúncia de PlágioO grifo é meu.
De: Laisez Jael Cabral Puya Ernandes (email omitido)
Data: 12 de dezembro de 2007, 09h22
Para: Helder da Rocha (email omitido), ‘Ranali’ (email omitido)
Prezado Senhor Helder
De ordem do Sr. Chefe de Gabinete informo que:
Após submeter sua denúncia a nossa Procuradoria Geral, a mesma manifestou-se:
“Pelo exposto detalhadamente até aqui, a Comissão, diante de todo o apurado, conclui que o princípio da anterioridade do escrito apontado como reproduzido se justificaria se o autor pudesse comprovar ou esclarecer, sem qualquer dúvida, que é o criador original dos dados ou informações contida em seu texto. Havendo a coincidência informal e textual de dados bibliográficos a respeito de Dante, tal fato não parece, a nosso ver, ferir propriedades autorais reclamadas por Helder Rocha. Assim, em vista de todo o apurado, não julgamos consistente e clara a configuração de contrafação literária no caso da denúncia em tela”.
Na oportunidade colocamo-nos à disposição.
Atenciosamente
Laisez Ernandes
Assist. Chefe de Gabinete
Se eu entendi a carta, de acordo com as conclusões da comissão formada pela Unicamp para analisar o assunto, o ocorrido não se trata de um plágio porque eu realmente não sou o criador original dos dados e informações que ali estão e eu não descobri novos fatos da história da Itália ou de Dante. Isto [e verdade. Todas as informações que eu usei eram conhecidas. Eu sou o criador original do texto, da forma de apresentar esses dados e informações. Copiar e assumir a autoria de um texto existente que traz informações que todo mundo já sabia não é considerado plágio?
Ou eu não sei o que é plágio ou a Unicamp não sabe o que é plágio. O que é plágio, afinal? Alguém tem uma definição? Eu posso recortar e colar trechos inteiros de um artigo da Enciclopédia Brittanica (que fale de assunto de conhecimento geral) assinar como sendo de minha autoria e incluir na minha tese de doutorado? Será que isto vale para qualquer universidade, ou somente se eu fizer meu doutorado na Unicamp?






Ragle Gumm vive com sua irmã, cunhado e sobrinho numa cidadezinha do interior dos Estados Unidos. O ano é 1959. Auge da guerra fria. O seu cunhado e sua irmã trabalham fora, e ele fica em casa o dia inteiro resolvendo quebra-cabeças de um concurso nacional de jornal. Ele vem ganhando um concurso atrás do outro há dois anos, e com os prêmios, contribui para a economia doméstica. Por causa do concurso, todos o reconhecem nas ruas. Veterano da segunda guerra mundial, ele vive uma vida tranqüila, apesar de ter alucinações ocasionais e ter se apaixonado pela esposa do vizinho. Mas um dia Ragle começa a entrar em crise existencial, a questionar o sentido da vida e outras coisas. Aprofunda-se em questões filosóficas. Procura significado nas alucinações. Começa a ficar paranóico e achar que o mundo inteiro está o observando. Um dia, depois de sintonizar um rádio feito pelo seu sobrinho e ouvir seu nome numa transmissão, conclui que está ficando louco. Decide então deixar o concurso de lado e fazer uma viagem para fora da cidade, quando descobre que não consegue, pois uma série de acontecimentos banais e aparentemente naturais (carros quebrados, rodoviária paralisada, fiscalização nas estradas) impedem que ele saia. As pessoas e as coisas não parecem mais reais. Os eventos parecem automáticos, mecânicos. Parece que todo o mundo gira em torno dele.

Yukio Mishima nasceu em Tóquio em 1925, filho de um oficial do governo. Seu nome verdadeiro é Hiraoka Kimitake. Considerado o mais importante escritor japonês do século XX, Mishima escreveu dezenas de romances, poesias, peças e ensaios políticos e filosóficos. Foi indicado três vezes ao prêmio Nobel de Literatura. Entre suas obras primas estão O Templo do Pavilhão Dourado (1956) e O Mar da Fertilidade (1965). Explorou tanto temas da cultura oriental como ocidental como na peça Madame de Sade em que procura ver o Marques de Sade através de olhos femininos. 









