Blindness

"(...) Falo em figurantes pois neste filme eles não são apenas gente que cruza o quadro imitando o movimento das ruas. Aqui estão todos cegos. Todo mundo tem que atuar e esse pequeno detalhe foi o motivo que quase me tirou deste filme quando pensei em dirigi-lo. Cada vez que imaginava uma cidade ocupada só por cegos a imagem que me vinha era a de uma população caminhando pelas ruas com os braços estendidos como num filme B, ou Z, de Zumbi. Socorro, pensava. Mas sei que cegos não andam assim, então a primeira providência foi chamar o Chris Duvenport, preparador de atores, e convidá-lo para me ajudar a evitar que este Ensaio Sobre a Cegueira virasse um remake da Volta dos Mortos Vivos.O trecho acima é do quinto post do Diário de Blindness, iniciado há pouco mais de um mês pelo diretor Fernando Meirelles que está filmando Blindness, uma adaptação para o cinema do livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. O filme é uma superprodução com orçamento milionário, que envolve centenas de figurantes (a maioria interpreta cegos) e atores de vários países. Estão no elenco Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal, Alice Braga e outros. As primeiras filmagens aconteceram em Guelph e Toronto, no Canadá, e agora ele está filmando em São Paulo e Montevideo.
De cara, o Chris aceitou o convite. Chamou sua assistente, colocou uma venda preta nos olhos e foi andar pelo Ibirapuera. Se animou com a sensação e resolveu correr, até encontrar uma árvore. (...)"
O blog é ótimo e os posts são muito bem escritos. Aproveite para ler o blog inteiro enquanto há poucos posts. Fernando atualiza o blog aproximadamente uma vez por semana.
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O relacionamento complicado entre os irmãos e as tentativas desesperadas de Philippe para ter suas idéias levadas a sério motivam, no filme, a exposição das lembranças do passado e reflexões filosóficas do irmão mais velho. Esses temas são explorados de forma muito criativa através de imagens que carregam diferentes significados, e que são usadas nas transições entre as cenas. Logo na abertura, Philippe está na lavanderia olhando para dentro de uma máquina de lavar. Pouco depois, ela torna-se a janela de um módulo espacial em órbita da Lua. O círculo é uma forma constante em todo o filme e assume diversos significados.


Gosto de Cereja (Palma de Ouro em Cannes, 1997) é sobre um homem vai se suicidar. Dirige seu carro na periferia de Teerã procurando alguém que esteja disposto a enterrá-lo, depois que ele estiver morto. Ele tem dinheiro e oferece a todos os que encontra, mas a maioria não aceita. Finalmente ele encontra um cientista disposto a ajudá-lo, mas que tenta convencê-lo a não se suicidar. O filme levanta questões interessantes sobre o direito ao suicídio, sobre a liberdade e a natureza da compaixão.
Eu não sei exatamente como descrever Dez sobre dez. Diria que é um documentário, um meta-filme - uma espécie de making-of de Dez, uma aula de cinema imperdível ministrada por um professor que inventou suas próprias teorias sobre o cinema. Como Dez, o filme inteiro ocorre no interior de um carro, e tem dez capítulos ou lições. Como Gosto de Cereja, viaja pelas estradas sinuosas da periferia de Teerã. No volante, o próprio Abbas Kiarostami é observado por uma câmera digital fixa, enquanto conversa com o passageiro (que é o espectador) mantendo sempre a atenção na estrada. Para mim o filme foi uma surpresa muito agradável, não só pelo formato original do documentário, mas pelas idéias geniais, senso de humor e opiniões estimulantes do cineasta iraniano. Terminado o filme, fiquei com vontade de comprar uma filmadora digital e começar a fazer uns experimentos cinematográficos.


















