26.9.07

Blindness


"(...) Falo em figurantes pois neste filme eles não são apenas gente que cruza o quadro imitando o movimento das ruas. Aqui estão todos cegos. Todo mundo tem que atuar e esse pequeno detalhe foi o motivo que quase me tirou deste filme quando pensei em dirigi-lo. Cada vez que imaginava uma cidade ocupada só por cegos a imagem que me vinha era a de uma população caminhando pelas ruas com os braços estendidos como num filme B, ou Z, de Zumbi. Socorro, pensava. Mas sei que cegos não andam assim, então a primeira providência foi chamar o Chris Duvenport, preparador de atores, e convidá-lo para me ajudar a evitar que este Ensaio Sobre a Cegueira virasse um remake da Volta dos Mortos Vivos.

De cara, o Chris aceitou o convite. Chamou sua assistente, colocou uma venda preta nos olhos e foi andar pelo Ibirapuera. Se animou com a sensação e resolveu correr, até encontrar uma árvore. (...)"
O trecho acima é do quinto post do Diário de Blindness, iniciado há pouco mais de um mês pelo diretor Fernando Meirelles que está filmando Blindness, uma adaptação para o cinema do livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. O filme é uma superprodução com orçamento milionário, que envolve centenas de figurantes (a maioria interpreta cegos) e atores de vários países. Estão no elenco Julianne Moore, Mark Ruffalo, Danny Glover, Gael García Bernal, Alice Braga e outros. As primeiras filmagens aconteceram em Guelph e Toronto, no Canadá, e agora ele está filmando em São Paulo e Montevideo.

O blog é ótimo e os posts são muito bem escritos. Aproveite para ler o blog inteiro enquanto há poucos posts. Fernando atualiza o blog aproximadamente uma vez por semana.

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31.7.07

Ingmar Bergman


Trecho da ópera A Flauta Mágica, de Mozart (cena de Papageno e Papagena) em produção teatral produzida e dirigida por Ingmar Bergman em 1975. Esta versão foi produzida para a TV sueca. Bergman (falecido ontem) teve grande atuação no teatro. A Wikipedia lista 171 produções que incluem óperas e clássicos de Shakespeare, Ibsen, Eugene O'Neill, Tchekhov e outros. Eu vi apenas 10% dos seus 54 filmes. Dentre eles, o meu favorito é o Sétimo Selo (1957).


Trailer de O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman

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25.9.06

Vincent, de Tim Burton (1982)



Adoro Tim Burton, e adoro este curta-metragem que ele fez em 1982, que conta a história de um menino chamado Vincent Malloy, que tinha 7 anos, e que queria ser Vincent Price. Ele me lembra outro menino que também criava seus mundos, que realmente acreditava que eles existiam, e neles vivia dia após dia. Esses mundos ainda estão lá, esperando que ele os acorde.

I once was a young boy, somewhat, like Vincent Malloy.

Vincent, by Tim Burton (1982)

Vincent Malloy is seven-years-old,
He's always polite and does what he's told,
For a boy his age, he's considerate and nice,
But he wants to be just like Vincent Price.

He doesn't mind living with his sister dog and cats,
Though he'd rather share a home with spiders and bats,
There, he could reflect on the horrors he's invented,
And wonder dark hallways alone and tormented.

Vincent is nice when his Aunt comes to see him,
But imagines dipping her in wax for his wax museum.

He likes to experiment on his dog Abercrombie,
In the hopes of creating a horrible zombie,
So he and his horrible zombie dog,
Could go searching for victims in the London fog.

His thoughts though aren't always of ghoulish crime,
He likes to paint and read to pass some of the time,
While other kids read books like Go Jane Go,
Vincent's favourite author is Edgar Allan Poe.

One night, while reading a gruesome tale,
He read a passage that made him turn pale,
Such horrible news, he could not survive,
For his beautiful wife had been buried alive!

He dug out her grave to make sure she was dead,
Unaware that her grave was his mother's flowerbed.

His mother sent Vincent off to his room,
He knew he'd been banished to the Tower Of Doom.
Where he was sentenced to spend the rest of his life,
Alone with the portrait of his beautiful wife.

All alone and insane, incased in his doom,
Vincent's mother burst suddenly into the room.
She said, "If you want to, you can go out and play"
"It's sunny outside, and a beautiful day."

Vincent tried to talk, but he just couldn't speak,
The years of isolation had made him quite weak,
So he took out some paper, and scrawled with a pen,
"I am possessed by this house, and can never leave it again."

His mother said, "You're not possessed,
     and you're not almost dead!"
"These games that you play are all in your head!"
"You're not Vincent Price, you're Vincent Malloy!"
"You're not tormented and insane, you're just a young boy!"

"You're seven-years-old and you are my son,"
"I want you to get outside and have some real fun."

Her anger now spent, she walked out through the hall,
And while Vincent backed slowly against the wall,
The room started to sway, to shiver and creak,
His horrid insanity had reached it's peak!

He saw Abercrombie, his zombie slave,
And heard his wife call from beyond the grave,
She spoke from her coffin, and made ghoulish demands,
While through crackly walls, reached skeleton hands.

Every horror in his life, that had crept through his dreams,
Swept his mad laughter to terrified screams!

To escape the madness, he reached for the door,
But fell limp and lifeless down on the floor.

His voice was soft and very slow,
As he quoted The Raven, from Edgar Allan Poe,
"And my soul from out that shadow that lies floating on the floor,
Shall be lifted--Nevermore!"

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9.4.05

O Liberace de Bagdá

Fonte: tenfootfilms.blogspot.com
Samir Peter em concerto nos EUA (2005). Fonte da imagem: Blog do diretor Sean McAllister.

O excêntrico Wladziu Liberace figura no Guinness como o pianista mais bem pago do mundo. Seu estilo misturava clássicos e jazz. Foi um exímio marqueteiro da sua própria imagem. Usava roupas extravagantes, e esbanjava de sua riqueza. Ganhou vários prêmios e criou uma fundação para o ensino da música. Mas este post não é sobre esse Liberace.

Samir Peter foi o maior pianista do Iraque. Tocava para a Orquestra Sinfônica de Bagdá. Era um showman. Carismático e popular, tocava de Chopin a Cole Porter. No seu mundo, isolado do resto do mundo, foi rico e famoso. Se autodenominava o Chopin do Iraque, ou, o Liberace de Bagdá. Estudou música na Itália e na Hungria e nos anos 80, viveu o auge de sua carreira. Tinha hospedagem gratuita no Sheraton onde ganhava cento e trinta dólares por noite tocando para hóspedes ilustres e ocasionalmente para o próprio Saddam Hussein. Trabalhava também como professor de música. Tinha muitos alunos e era um homem rico. Casou-se com uma médica com quem teve quatro filhos. Boêmio incorrigível, vivia sempre envolvido em aventuras com outras mulheres.

Em 1991, na noite em que Bagdá foi bombardeada durante a guerra do golfo, ele compôs uma música triste e dramática. O Iraque isolou-se mais ainda do resto do mundo, e Samir caiu no ostracismo ao desentender-se com o regime de Saddam Hussein. Sua esposa - que foi responsável pelo parto de uma das filhas de Saddam - o deixou (por causa de suas aventuras extraconjugais) e mudou-se com dois dos seus filhos para os Estados Unidos.

Essa é a história que Samir contou no ano passado a Sean McAllister, jornalista que fora a Bagdá fazer um documentário sobre a vida no Iraque pós-Saddam Hussein. Sean encontrou Samir tocando em um hotel onde hospedavam-se jornalistas estrangeiros, mercenários e soldados. Tinha 56 anos e morava sozinho no porão do hotel em um quarto com janelas fechadas com tijolos. Não parecia em nada com um Liberace, mas continuava carismático. Falando inglês com sotaque italiano, revelou-se um homem simples e uma companhia agradável. O encontro e a amizade entre os dois motivou o filme cuja produção se estendeu pelos oito meses seguintes. Sean McAllister e sua câmera não largaram o pé de Samir, revelando o cotidiano de um decadente e outrora famoso artista iraquiano no meio de um país em guerra civil.

O encontro mudou a vida de Samir, que sonha em conseguir um visto para os Estados Unidos e levar a família junto. No filme, seu filho e sua filha, ambos com mais de 30 anos e solteiros, vivem na sua mansão de sete quartos num bairro cada vez menos tranquilo de Bagdá. Mas sua filha não quer sair do país. Ela sente falta de Saddam Hussein e culpa os americanos pela tragédia do país. Samir é anti-Saddam, mas também não é um ingênuo defensor da ocupação. A situação no Iraque se agrava muito durante a produção do filme, e os riscos de morte aumentam para Samir e principalmente para Sean. Quase todos os colegas de Sean foram seqüestrados. Depois de oito meses, Samir pediu a Sean que fosse embora, pois ele não tinha mais como garantir a sua segurança.

Fonte: tenfootfilms.blogspot.com
Samir e Sean recebendo prêmio no Sundance Festival
O resultado foi um filme cru, real, porém emocionante e belo. Na minha opinião, um dos melhores do festival É Tudo Verdade. Vale a pena ser visto. Ganhou vários prêmios pelo mundo afora, entre eles o prêmio especial do júri do Sundance Festival em janeiro deste ano. Além de tudo, teve um impacto positivo na vida de Samir e sua família. Samir esteve presente no festival. Conseguiu um visto de visitante e viajou com Sean pela Europa e Estados Unidos. Apresentou-se em quase todos os lugares que visitou. Aproveitou também para rever sua esposa e filhos que não via há cinco anos. Ele não está mais no Iraque. Mudou-se para em Amã, na Jordânia, com seu filho e sua filha, onde espera a obtenção do visto de imigrante americano. A história continua, mas agora é narrada no blog do diretor.

O 10º. Festival Internacional de Documentários: É Tudo Verdade, acaba em São Paulo neste domingo. Os ingressos são de graça. O Liberace de Bagdá será reexibido sábado (dia 09), às 19h00, no CineSESC. Vale a pena ver.

The Liberace of Baghdad
(Reino Unido, 2004)

75 minutos.
Diretor: Sean McAllister
Música: Samir Peter

Sites:
Blog do diretor: continua a história de Samir Peter e sua imigração para os EUA.
Site oficial
BBC - Storyville - The Liberace of Baghdad: entrevistas e video com Sean e Samir.

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21.11.04

A Face Oculta da Lua, de Robert Lepage

Site do filme

"Antes do telescópio, as pessoas pensavam que a Lua era um grande espelho, e que as montanhas e oceanos em sua superfície luminosa eram meramente os reflexos de nossas montanhas e oceanos. Mais tarde, no século vinte, quando a primeira sonda lunar soviética nos enviou de volta imagens da face distante que nunca vemos, o mundo surpreendeu-se em descobrir que a Lua tinha um segundo rosto, mais profundamente arranhada pela queda de meteoros e outros restos de material cósmico. Os cientistas da NASA gostavam de chamá-la de "a face desfigurada da Lua". Esta ironia refletia o fato de que, daquele momento em diante, todas as crateras daquele lado seriam batizadas em homenagem a cosmonautas soviéticos e grandes escritores russos..."

Essa narrativa inicia o último filme do canadense Robert Lepage, com a imagem da Lua cheia de fundo, ao lado do majestoso Chateau Frontenac de Québec. É um filme metafórico que explora temas como narcisismo, isolamento e solidão, através de belas imagens e de uma história comovente. O tema central é a convivência difícil entre dois irmãos de personalidades opostas, na faixa dos quarenta anos, que têm que lidar com a morte recente da mãe. Ambos são representados no filme pelo próprio Lepage (que neste filme foi ator principal, diretor e roteirista). Filmado em vídeo digital, é o quinto filme do diretor canadense que é mais conhecido por suas obras para teatro, como a peça Os Sete Afluentes do Rio Ota. O filme também é baseado numa peça de teatro que Robert Lepage escreveu. Na peça, que tem o mesmo nome que o filme, ele representa sozinho todos os personagens. Ela foi apresentada em vários países, inclusive no Brasil, há dois anos.

Montagem feita com imagens do filme
Robert Lepage como Philippe e como André


A Lua e as viagens espaciais são uma obsessão de Philippe, o irmão mais velho. Seus conflitos, lembranças, sonhos e fracassos movimentam a maior parte do filme. Os espectadores compartilham a mente do personagem. Ele vive sozinho no mesmo apartamento onde foi criado e cuida do peixinho de estimação que pertenceu à sua mãe. Philippe é muito inteligente mas também muito introspectivo e anti-social. Tenta aprovar pela segunda vez sua tese de doutorado sobre filosofia científica, onde propõe a tese que a corrida espacial teve motivações narcisistas. Para sobreviver, trabalha como operador de telemarketing em um jornal, mas odeia o emprego. É um sonhador. Está sempre à procura o sentido das coisas, e tenta compreender o mundo e as pessoas apesar de nunca ter saido de sua cidade natal. Vive apegado ao passado e à memória de sua mãe.

André é o irmão mais novo e o oposto de Philippe. Meteorologista bem sucedido, é homossexual assuido e mora com o namorado num apartamento com a vista para o Chateau Le Frontenac, no bairro mais caro de Québec antiga. Pragmático, obcecado com moda e aparências, não liga para as questões profundas que ocupam a mente de seu irmão. Não entende como Philippe pode ficar tão preso ao passado e tenta convencê-lo a aceitar vender o apartamento da mãe.

Foto de divulgaçãoO relacionamento complicado entre os irmãos e as tentativas desesperadas de Philippe para ter suas idéias levadas a sério motivam, no filme, a exposição das lembranças do passado e reflexões filosóficas do irmão mais velho. Esses temas são explorados de forma muito criativa através de imagens que carregam diferentes significados, e que são usadas nas transições entre as cenas. Logo na abertura, Philippe está na lavanderia olhando para dentro de uma máquina de lavar. Pouco depois, ela torna-se a janela de um módulo espacial em órbita da Lua. O círculo é uma forma constante em todo o filme e assume diversos significados.

Para construir a história, Robert Lepage buscou inspiração na sua própria vida, misturando memórias e experiências da vida real, como as lembranças do pouso na lua quando criança, seu relacionamento com a mídia e a fama, seus conflitos com seu irmão mais velho e principalmente o sofrimento e morte de sua mãe devido a problemas renais (Germaine Lepage morreu de problemas renais em 1999, aos 74 anos de idade). Segundo o diretor, André e Philippe representam faces opostas da mesma pessoa. Esta foi uma das principais razões pela qual decidiu representar ambos os papéis no filme.

La Face Cachée de La Lune foi vencedor da mostra Panorama do Festival de Berlim este ano e foi indicado pelo Canadá como concorrente ao Oscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira.

Cartaz do filmeA Face Oculta da Lua
(La Face Cachée de La Lune)
(Canadá, 2003)

Direção, produção e roteiro: Robert Lepage
Elenco: Robert Lepage, Anne-Marie Cadieux
Site: http://www.lafacecacheedelalune.com


Este filme foi exibido na 28ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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29.10.04

Cinco, de Abbas Kiarostami

Cenas de Cinco

Um filme minimalista ao extremo, com um ritmo muito, mas muito lento. Se eu fosse escolher um filme para definir o Zen, seria este, pois é um daqueles filmes onde se compreende claramente o que ele quer expressar, desde que se desista de tentar entendê-lo racionalmente. Antes do início do filme (eram 23:45, e várias pessoas estavam no CineSESC desde o início da tarde) o diretor advertiu à platéia que não tentasse encontrar lógica no filme. "Relaxem" ele disse, "e se tiverem sono, fechem os olhos e durmam que eu não ficarei chateado."

Dedicado ao cineasta japonês Yasujiro Ozu, Cinco é um conjunto de cinco cenas longas (1h15 no total). As cenas foram feitas diante do Mar Cáspio, próximo da residência do diretor. Foi usada uma filmadora digital que, na maior parte dos filmes, permanece totalmente estática. As cenas, vistas objetivamente, parecem banais, mas a concentração que conseguem extrair do espectador realizam a mágica de transformá-las em histórias dramáticas. É como ler um livro que estimula a imaginação, ou ainda como mergulhar nas possibilidades de uma obra de arte abstrata. Cada filme é algo parecido com uma pintura. Não sei se seria a mesma coisa assistir em vídeo. A concentração total é fundamental para viver a experiência.

A primeira história retrata a saga e o "sofrimento" de um toco de madeira na sua luta contra as ondas do mar que quer levá-lo embora (eu não vou conseguir descrever isto objetivamente). O momento de maior tensão é quando o mar finalmente consegue quebrar o toco em duas partes. Uma parte flutua e vai embora, e ficamos na esperança de um reencontro. Perto do fim, ele reaparece, mas não volta mais e é levado pela correnteza.

A segunda história mostra pessoas que passam em um calçadão diante da praia. Vez ou outra passa uma pessoa, ora mais perto da câmera, ora mais distante. A sua chegada é antecipada por um ou dois pombos, que fogem apressados dos passantes (mas nunca chegam a voar). Num certo momento, um grupo de velhos se encontra e se reúnem para discutir. Não dá para ouvir o que eles dizem, tampouco ver qualquer expressão em seus rostos. No fim, eles vão embora, a cena fica vazia e começa a ficar menos nítida. Quando aves começam a aparecer ao longe, no céu, a cena vai terminando, muito lentamente enquanto o contraste diminui e o brilho aumenta.

A terceira história é uma história de amor e de muita preguiça. Inicialmente, vê-se umas manchas perto da praia. Depois de um tempo percebe-se que trata-se de uma matilha de cães. Uma das manchas, de pele malhada, deve ser a fêmea que está no cio. Em volta dela uns cinco machos. A cena é muito lenta e deve durar uns 20 minutos. Os cães estão com uma preguiça imensa. Vez ou outra um se levanta e muda de lado. Outro levanta-se, balança o rabo e fica do lado da fêmea. E depois um deles senta, depois outro senta, e ficam parados. Tudo sempre muito devagar. Num certo momento, a fêmea levanta-se e preguicosamente se afasta deles até deitar-se no lado esquerdo da tela. Pouco a pouco os cães vão se levantando, muito lentamente, e se agrupam pouco a pouco perto da fêmea. Não dá para perceber, mas a imagem vai ficando cada vez menos nítida. E de novo eles se levantam. E de novo outro balança o rabo. Tudo muito lento. No fim, a imagem já é quase branca e três manchas pretas imóveis descansam diante das ondas.

A quarta história é uma comédia. Primeiro, voltamos a ver a cena da praia, com o ruído das ondas quebrando na areia vazia. De repente, ouve-se um quac e eis que um pato surge do nada quebrando a tranquilidade da cena. Depois chega outro pato, andando calmamente para a direita. Depois passa mais um, correndo. Patos brancos, patos marrons, malhados, grandes, pequenos, de todos os tipos. Em pouco tempo centenas de patos estão passando em procissão, ora rápido ora lentos para a direita. Lá pela metade da cena, depois de muitos patos terem passado, eis que um pato pára, faz quac para o outro que vem atrás, que também pára. E então, começam a andar no outro sentido. E aí todos os outros patos surgem correndo no sentido contrário.

A última cena ocorre na escuridão total. Ouvimos sons de sapos, latidos ao longe, uivos e trovões distantes. Finalmente uma pequena mancha aparece. É o reflexo da lua na água. Parece ser uma lagoa. Pontinhos se movem e pulam de um lado para outro. É deles que vêm os sons. São sapos. Vários e diferentes coaxares são ouvidos. Uns parecem frágeis, como o som de um grilo. Outros soam mais agressivos, principalmente quando respondem ao som do mais frágil. Vez ou outra aparece um coaxar estranho que pare reclamar da vida. É muito engraçado. E assim prossegue a melodia da lagoa. De vez em quando os sapos se calam e ouvimos latidos de cachorros. Os trovões se aproximam. Ficam mais fortes. Chuva. Escuro total. Relâmpagos iluminam a chuva por um breve instante. Terminada a chuva, volta o reflexo da lua, das nuvens, dos sapos. Voltam os coaxares. Cães uivam e finalmente os galos começam a cantar. Já está amanhecendo e o filme termina com o céu azul refletindo na lagoa.

Vale a pena assistir este filme, se não pelo cinema, pelo menos como uma relaxante sessão de meditação.

Cinco, de Abbas Kiarostami, ainda será exibido na 28a. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo no dia 04 de novembro, às 13h30, no Frei Caneca Unibanco Arteplex 2.

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28.10.04

O cinema de Abbas Kiarostami

Abbas Kiarostami antes da exibição de um de seus filmes no CineSESC
Abbas Kiarostami antes da exibição de um de seus filmes no CineSESC.

O cineasta iraniano Abbas Kiarostami está sendo homenageado com uma retrospectiva na 28ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Na quarta, o CineSESC dedicou todas as seis sessões ao cineasta. Dos filmes apresentados, dois eram inéditos. O penúltimo, 10 sobre Dez (2004), faz referência a dois outros que foram exibidos antes: Gosto de Cereja (1996) e Dez (2002). O último, Cinco (2004), é um filme mudo que foi exibido às 23:45. Eu falarei sobre ele no próximo post.

Cenas de Gosto de CerejaGosto de Cereja (Palma de Ouro em Cannes, 1997) é sobre um homem vai se suicidar. Dirige seu carro na periferia de Teerã procurando alguém que esteja disposto a enterrá-lo, depois que ele estiver morto. Ele tem dinheiro e oferece a todos os que encontra, mas a maioria não aceita. Finalmente ele encontra um cientista disposto a ajudá-lo, mas que tenta convencê-lo a não se suicidar. O filme levanta questões interessantes sobre o direito ao suicídio, sobre a liberdade e a natureza da compaixão.

Extremamente minimalista, Dez, é uma história em dez capítulos que se passa totalmente no interior de um carro. Em cada capítulo acontece um diálogo entre o passageiro e a motorista. Para filmá-lo foram usadas duas câmeras fixas, uma apontada para a motorista e a outra para o passageiro. O diretor não estava presente no setde filmagem (o carro). No primeiro capítulo, a câmera fixa em uma criança sentada no banco do passageiro que discute com a sua mãe - a motorista - que é divorciada do seu pai. Somente já perto do final da primeira cena é que a câmera passa a focar a motorista. Depois que o filho desce do carro, termina o primeiro capítulo. Ela transporta e conversa com outros cinco passageiros (entre elas uma senhora idosa, uma prostituta, sua irmã e uma mulher que foi abandonada pelo marido), que expõem os seus mais diversos conflitos, refletindo um pouco dos valores e da cultura da sociedade iraniana. Nem todos os passageiros aparecem. Alguns só são ouvidos enquanto a câmera mostra as reações no rosto da motorista.

Cenas de DezEu não sei exatamente como descrever Dez sobre dez. Diria que é um documentário, um meta-filme - uma espécie de making-of de Dez, uma aula de cinema imperdível ministrada por um professor que inventou suas próprias teorias sobre o cinema. Como Dez, o filme inteiro ocorre no interior de um carro, e tem dez capítulos ou lições. Como Gosto de Cereja, viaja pelas estradas sinuosas da periferia de Teerã. No volante, o próprio Abbas Kiarostami é observado por uma câmera digital fixa, enquanto conversa com o passageiro (que é o espectador) mantendo sempre a atenção na estrada. Para mim o filme foi uma surpresa muito agradável, não só pelo formato original do documentário, mas pelas idéias geniais, senso de humor e opiniões estimulantes do cineasta iraniano. Terminado o filme, fiquei com vontade de comprar uma filmadora digital e começar a fazer uns experimentos cinematográficos.

Veja o site da Mostra para horários e locais onde serão exibidos filmes de Abbas Kiarostami.

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27.10.04

Contra a Parede

Foto de divulgação: http://www.gegendiewand.de

Há 18 anos um filme alemão não vencia o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Na edição deste ano o jejum foi interrompido pelo filme Contra a Parede (Gegen Die Wand), do diretor alemão de origem turca Fatih Akin, que faz parte da 28ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme é um comovente drama moderno que retrata com fidelidade os conflitos culturais dos emigrantes que deixaram a Turquia em busca de uma vida melhor na Alemanha. Sua estréia no Brasil está prevista para o mês de janeiro.

"Você pode dar fim a sua vida sem se matar", diz o médico a Cahit Tomruk (Birol Ünel), um homem de 40 e poucos anos, inquieto e cheio de conflitos existenciais. Ele se encontra em uma clínica psiquiátrica por ter jogado seu carro contra uma parede, bêbado, depois que foi expulso de um bar onde envolvera-se em uma confusão. Cahit leva um estilo de vida auto-destrutivo e está sempre irritado com todos e com o mundo.

Sibel Güner (Sibel Kekilli) é uma jovem pertencente a uma tradicional família turca que mora em Hamburgo. Ela quer beber, transar e se divertir da forma como ela acredita que vivem as jovens alemãs da sua idade, mas não pode devido ao controle rigoroso de sua família cujos hábitos e costumes são incompatíveis com o país onde vivem. Sem conseguir libertar-se das amarras da família, ela tenta se matar cortando os pulsos, e é internada na mesma clínica.

Quando Sibel encontra Cahit na clínica e descobre que ele é turco, não hesita em pedir para casar-se com ele. Insiste que seria apenas formalmente, apenas para libertar-se da família, e que seus pais certamente o aceitariam devido à sua origem turca. A princípio ele a ignora, e a toma como louca. Mas em outra ocasião, na cantina do hospital, presencia quando ela é repreendida pelos pais. Sempre que encontra Cahit nos corredores do hospital, Sibel insiste. Garante que não quer nada dele, e propõe-se a bancar todos os custos. Cahit começa a pensar no assunto até que acaba aceitando a idéia, talvez por querer mudar de vida e decidir seguir o conselho do médico. Depois de alguns incômodos (e hilários) encontros de Cahit com a família de Sibel, casam-se, e passam a compartilhar o mesmo apartamento. Ambos levam uma vida sexual independente, mas a convivência os aproxima e aos poucos, essa liberdade começa a incomodá-los. Quando finalmente descobrem-se apaixonados, já é tarde demais.

Foto de divulgação: http://www.gegendiewand.de

Depois que Cahit envolve-se em uma briga movida por ciúmes, acaba provocando uma tragédia. A história toma outro rumo, e fica menos interessante. Os personagens já não são os mesmos, e não conseguem manter o mesmo ritmo contagiante do início. Apesar disso, a imprevisibilidade dos seus atos, o futuro incerto e a impecável atuação dos dois atores seguram a atenção do espectador - agora transportado para as ruas de Istambul - até o desfecho final.

O filme inicia e termina com uma cena que mostra um conjunto de músicos turcos, tocando ao ar livre às margens de um rio com a paisagem urbana de Istambul ao fundo. A cena reaparece em alguns momentos no meio do filme, dividindo a história em "capítulos". Os versos cantados pela cantora refletem os eventos vividos pelos personagens.

Sibel Kekilli. Foto: AP
A atriz turca
Sibel Kekilli
Contra a Parede é um fiel retrato da situação dos imigrantes turcos na Alemanha, contado do ponto de vista de um turco. Fatih Akin, nascido em Hamburgo, é, como seus personagens, descendente de uma família turca. Conflitos entre os imigrantes e seus filhos são comuns, uma vez que as crianças costumam se adaptar melhor à mudança de cultura, enquanto seus pais, que temem as liberdades e hábitos do país em que vivem, tentam controlá-los em vão. O filme foi um grande sucesso de bilheteria em Istambul e Sibel Kekilli tornou-se uma celebridade nacional da noite para o dia. No filme, o pai de Sibel Güner, deserda a filha quando toma conhecimento dos escândalos nos quais a filha se envolveu. No mundo real, dois dias depois de ganhar o Urso de Ouro, um tablóide alemão divulgou que Sibel havia iniciado sua carreira atuando em filmes pornográficos. Ao tomar conhecimento do fato, o pai de Sibel Kekilli, turco que vive na Alemanha desde os anos 70, deserdou sua filha ao vivo durante uma entrevista para um programa de TV.

Cartaz de divulgação do filmeContra a Parede (Gegen Die Wand) (Alemanha, 2004)

Direção: Fatih Akin
Roteiro: Fatih Akin
Fotografia: Rainer Klausmann
Elenco: Birol Ünel, Sibel Kekilli, Catrin Striebek, Gven Kirac
Site: http://www.gegendiewand.de



Última apresentação na 28a. Mostra de São Paulo, hoje, dia 27, às 18:10h no Espaço Unibanco 1. Estréia nacional 07 de janeiro de 2005.

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26.10.04

O Operário

Foto de divulgação: www.maquinistmovie.com
Eu estava exausto e faltavam 15 minutos para a meia noite quando assisti este filme. Mas não dá para dormir. A insônia do personagem é contagiosa, e a curiosidade para descobrir o mistério que o atormenta faz com que a passagem do tempo seja esquecida até o momento final, quando tudo é revelado. Ainda terá duas apresentações na mostra. Não há lançamento previsto no Brasil.

Trevor Resnik é operador de uma máquina em uma fábrica. Tem insônia crônica. Há um ano não consegue dormir e sua saúde física e mental vem se deteriorando. Está tão magro que e pálido que parece um morto vivo. O seu esgotamento o afasta dos colegas e das outras pessoas. Sua vida social resume-se a encontros com uma prostituta e visitas a uma garçonete que trabalha no aeroporto, do outro lado da cidade. Seu stress acaba levando-o a ser responsável por um acidente de trabalho que leva um colega a perder um braço. Ele alega ter sido distraído por um funcionário que ninguém nunca viu, e começa a ficar paranóico. Começa a achar que todos tramam contra ele, que desejam vingança, que querem deixá-lo louco.

O filme inteiro parece um tipo de pesadelo. O ambiente tenebroso da fábrica, a expressão cansada dos operários, a baixa saturação das cores e a pouca luz ajudam a criar um clima sombrio que intensifica a sensação de terror crescente do filme. O espectador compartilha a mente de um personagem que aparenta estar perdendo a razão, e não tem certeza se o que vê é real ou imaginário. O terror aumenta à medida em que Trevor começa a investigar as coisas estranhas que acontecem à sua volta.

Christian Bale
Christian Bale antes das filmagens
Trevor Resnik é Christian Bale, o ator que fez o garoto do filme Império do Sol, de Stephen Spielberg. A sua atuação é muito convincente, mas o que chama mais atenção é a forma como ele se entregou ao papel. Para interpretar o esquelético Trevor, Bale, que tem um metro e 88 de altura e pesa 86 kg, teve de perder peso e ficou parecendo uma vítima do holocausto nazista aos 58 quilos. Seus 28 quilos perdidos são considerados um recorde na indústria do cinema. Nenhum ator perdeu tanto peso para representar um papel. Segundo os produtores, ele ainda queria chegar aos 50 quilos mas não o fez por temer conseqüências à sua saúde.

Filmado em Barcelona, o filme foi dirigido por Brad Anderson (Próxima Parada: Wonderland), com roteiro de Scott Kosar (O Massacre da Serra Elétrica). Kosar diz ter buscado inspiração em várias fontes, que incluem suas próprias paranóias, filmes de Hitchcock, o conto O Duplo, de Dostoiévski e os filmes O Inquilino (1974), de Roman Polanski e O Amigo Americano (1977), de Wim Wenders, todas obras psicológicas onde o protagonista enfrenta a própria loucura.

Cartaz de divulgação do filme: FilmaxO Operário (The Machinist)
(EUA, 2004)

Direção: Brad Anderson
Roteiro: Scott Kosar
Fotografia: Xavi Giménez
Trilha sonora: Roque Banos
Elenco: Christian Bale, Jennifer Jason Leight, Aitana Sánchezp-Gijón, John Sharian
Produtor: Júlio Fernandez
Site: http://www.machinistmovie.com




Apresentações na 28a. Mostra de São Paulo: dia 23, às 23:45h no Frei Caneca Unibanco Arteplex 2; dia 24, às 13:30h, no CineSESC; dia 01, às 16:10, no Espaço Unibanco 1; dia 02, às 20:30, na Sala UOL de Cinema.

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25.10.04

A Pessoa é para o que Nasce

Conceição, Regina e Maria Barbosa em apresentação no Percpan. Foto de divulgação do filme - http://www.borntobeblind.com
Conceição, Regina e Maria Barbosa em apresentação no Percpan com Gilberto Gil. Foto:http://www.borntobeblind.com

Lembro-me delas desde criança. Estavam sempre as três, ao lado da Livraria Pedrosa, no centro da cidade, juntas, cantando emboladas e balançando seus instrumentos de percussão em troca das esmolas dos passantes. Quem vive ou viveu em Campina Grande (PB) nas décadas de 80 ou 90 (ou mesmo antes) com certeza há de lembrar-se das três irmãs cegas que são tema do documentário A Pessoa é para o que Nasce, do carioca Roberto Berliner, em cartaz na 28ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme não apenas retrata a história, a arte e o cotidiano dessas três mulheres corajosas, mas o efeito que o cinema teve em suas vidas.

Roberto conheceu as irmãs Maria, Regina e Conceição Barbosa em 1997, quando viajou a Campina Grande para produzir um episódio de uma série de TV sobre artistas anônimos. O programa o motivou a produzir, em 1998, um curta-metragem sobre as três. O curta foi premiado no Brasil e no exterior e contribuiu para transformar as três mulheres em celebridades. A partir daí foram convidadas por Gilberto Gil e Naná Vasconcelos para se apresentarem no Percpan - encontro internacional de percussionistas realizado em São Paulo e Salvador. Roberto acompanhou as irmãs Barbosa durante toda a turnê. O cachê recebido permitiu que elas melhorassem de vida e se mudassem para uma nova casa. Porém, na minha última visita a Campina Grande, há pouco tempo, encontrei as duas irmãs mais novas pedindo esmolas no mesmo lugar.

Conceição e Regina Barbosa, em setembro/2004
Conceição e Regina Barbosa, em setembro/2004

O filme retrata o cotidiano das personagens documentadas em várias fases de sua vida, revelando suas estratégias de sobrevivência, suas histórias de amor e de tragédia, a fama momentânea causada pelo encontro com o cinema e a convivência de vários anos (desde 1997) com o diretor, que acabou tornando-se, também, personagem da sua própria obra. É estimulante ouvir as histórias da valente Maria, duas vezes casada e duas vezes viúva, mãe de Dalvinha e responsável pelas irmãs mais novas. É um filme corajoso, que vence o preconceito de olhar para estas pessoas que não podem olhar de volta. Longe de violar-lhes a privacidade, nos aproxima de seres humanos vitoriosos, cujas deficiências não são impedimentos para sua felicidade.

Postal de divulgação do filme A Pessoa é para o que NasceA Pessoa é para o que Nasce
(Brasil, 2003)

Diretor: Roberto Berliner
Roteiro: Maurício Lissovsky
Fotografia: Jacques Cheuiche
Produção: TV Zero, Rio de Janeiro


Site: http://www.borntobeblind.com. O site permite download de fotos, do curta-metragem e de arquivos MP3 com gravações de músicas cantadas pelas irmãs Barbosa.


Apresentações na 28a. Mostra de São Paulo: dia 22, às 18h no Espaço Unibanco 1; dia 27, às 14h, na Sala UOL; dia 31, às 22:15, no Cineclube DirecTV 3.

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22.10.04

Mostra de cinema em São Paulo

Stand central da Mostra, no Conjunto Nacional em São Paulo
Hoje começou a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (na verdade começou ontem, mas a sessão era só para os VIPs - e eu não sou um deles). São mais de 300 filmes em salas espalhadas pela cidade eu tenho pouco mais que uma semana. Deu um trabalho dos diabos montar uma agenda, driblar os conflitos de horário, lidar com tempo de deslocamento, etc. mas não adiantou muito. O primeiro dia já não saiu como planejado. Eu ia assistir três filmes e uma peça, mas esqueci que morava em São Paulo e que, numa sexta-feira, à tarde, em São Paulo é praticamente impossível estar em dois lugares diferentes. O trânsito é cruel com os céticos ou distraídos que não observam essa regra. No fim, consegui chegar atrasado no teatro e não pude ver a peça, perdi um filme e consegui chegar no outro na hora que ia começar. Conclusão: só assisti a um filme: A Pessoa é para o que Nasce (Roberto Berliner, Brasil, 2003) e só. Mas valeu a pena. O filme é uma obra de arte. Amanhã (ou domingo, pois não sei que horas chego amanhã) publicarei aqui um artigo sobre o filme.

É minha intenção escrever pelo menos um artigo por dia neste blog sobre os filmes que eu conseguir assistir na Mostra (se eu conseguisse ser um pouquinho mais objetivo eu até escreveria sobre todos, mas filmes costumam dispersar minhas idéias e no fim, não vou conseguir terminar os textos.) Amanhã (sábado) vou tentar assistir Terra da Fartura (Wim Wenders, Alemanha, 2004) e O Operario (Brad Anderson, Espanha, 2004).

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