10.7.08

Ares e Chronos debaixo da Esfinge

Eu os vi por acaso. Ultimamente não tenho acompanhado o movimento das estrelas errantes, mas noites estreladas e sem nuvens sempre me fazem olhar para o alto. Foi então que num princípio de noite sem nuvens encontrei três pontinhos alinhados. Havia um planeta entre Regulus (a estrela mais brilhante da constelação de Leão) e Saturno. Era Marte, de passagem, que hoje estará bem perto de Saturno (do ponto de vista de nós, terráqueos). Eles estarão no oeste, pouco depois do por do Sol.



Se hoje as nuvens não deixarem, talvez amanhã. Não estarão tão distantes, mas a cada dia Marte irá se afastar mais. Saturno permanecerá mais tempo em Leão, pois sua órbita é lenta.


Passe o mouse sobre a imagem para ver o desenho da esfinge (o leão está sentado sobre os dois planetas). Imagem gerada pelo Starry Night Digital Download 6

(Se você acha que os pontos não parecem um leão de jeito nenhum, tente virar o desenho, ou leia este outro post.)

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15.11.07

O Blog, a Chuva e a Lua



Havia coisas demais para escrever, então desisti de publicar. Não sei se é doença de blogueiro ou a tendência de afogar-se com o excesso de informação. Faz um mês que não escrevo nada.

Caía água demais, então desisti de sair. A chuva alaga a rua. Há o risco de afogar-se com o excesso de água. A rua é o princípio de uma ladeira, então imagino que lá embaixo as coisas estejam piores. Faz uma hora e meia que não faço nada.

Foi clicando que cheguei numa foto da Terra vista da Lua. Há um robô japonês orbitando os pólos lunares, fazendo filmes e tirando fotos. Faz tempo que ninguém vê a Terra da Lua. Neste vídeo a nave orbita o pólo norte da Lua e assiste a Terra surgir no horizonte. Neste outro, com mais zoom, a Terra surge de cima e some no horizonte. Os japoneses chamam os vídeos de fotos em movimento.


A Terra vista da Lua

Enquanto a chuva lá fora aumentava eu conversava com uma amiga no MSN que me mostrou aquele site dos que duvidam das viagens à Lua. Eu já conhecia. Adoro sites de teorias conspiratórias. Me divirto muito com eles. Além de não acreditar que os humanos pisaram na Lua, eles também acreditam que o Sol gira em torno da Terra, que a bomba atômica não existe e que as notícias que contradizem esses fatos são mentiras difundidas por grupos poderosos que não querem que a verdade seja revelada. Eu nunca havia clicado nas páginas traduzidas. Tem tradução até para chinês, russo e japonês. Devem ser engraçadíssimas, pois as páginas em inglês foram traduzidas pelo Babelfish e contém trechos como "Paid NASA plus a mico when announcing that it would go to contract writer to prove that gone the Moon would have been truth and to give up the depois." Lunáticos.

A chuva diminui. Eu já poderia desligar o computador e ir embora, mas a viagem me levou a sites que defendem o geocentrismo e me peguei lendo argumentos que defendem que na verdade a Terra é plana. Que interessante. Consegui escapar através do Google. Além de mapear a Terra, Marte e o Universo, o Google também possui um site com mapas da Lua. Usa a mesma estrutura do Google Maps, e tem além das fotos, diagramas detalhados da superfície lunar (com cores de relevo) e descrições detalhadas sobre as seis missões do projeto Apollo que foram à Lua. Fiquei lendo até que a chuva parou.


Google Moon

A chuva parou mesmo. Agora é só esperar um pouco para a água escoar. Talvez dê tempo escrever alguma coisa no blog antes de sair. Talvez para falar da ausência de posts, da chuva, escrever algo sobre a Lua.

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16.7.07

A Esfinge

Dizem que os egípcios construíram a Esfinge inspirados nas estrelas. Não sei de onde veio essa teoria. Acho que vi em algum programa de televisão. Essas teorias geralmente se baseiam mais em suposições e imaginação que em fatos, já que não há como ter certeza de nada, mas é divertido imaginar que possa ser verdade.

Usando o Starry Night (software que simula o céu como um planetário) consegui voltar ao passado, perto do ano 5000 a.C. e, situando-me na cidade do Cairo, assistir à constelação de Leão nascer no leste.

Qualquer um pode ligar os pontinhos e imaginar as constelações que bem entender, e diferentes civilizações interligaram as estrelas de forma bem diversa, mas a figura tradicional do Leão é uma das constelações retratadas em mapas astronômicos egípcios desde 4200 a.C.

Então, supondo que os egípcios ligavam os pontinhos da forma como ainda fazemos hoje, podemos imaginar a esfinge, de perfil, nascendo no leste, às margens do rio Nilo (passe o mouse sobre a imagem abaixo se não conseguir).


Imagem gerada pelo Starry Night Digital Download 6

E onde está a constelação de Leão hoje? Com o Sol em Gêmeos, o céu ainda está claro quando Leão está se pondo. Procure-o após o por do Sol, com o rosto da esfinge voltado para o horizonte.

Se você estiver em São Paulo, desista. A chuva por aqui não parece que vai dar trégua. Se hoje à noite você estiver em algum lugar com céu aberto, procure a Lua crescente no oeste após o por do Sol. Perto dela estão dois planetas: Vênus e Saturno, todos à esquerda da esfinge. Veja na imagem abaixo (a figura da esfinge está virada com o rosto olhando para baixo.)


Lua, Vênus, Saturno, Lua e a Esfinge, hoje, após o por do Sol. Clique para ver uma imagem ampliada.

Não deu para ver por causa das nuvens? Tente de novo amanhã (e depois). Amanhã a Lua já estará em outro lugar, e Vênus terá se movido um pouco, mas muito pouco. Todos os dias, porém, o Leão irá se por mais cedo até que em algumas semanas não será mais visível por estar muito próximo ao Sol.


Lua, Vênus, Saturno, Lua e a Esfinge, no dia 17, após o por do Sol. Clique para ver uma imagem ampliada.

Amanhã estarei em Brasília, onde as nuvens são raras, e vou tentar fotografar Saturno com um telescópio. A imagem abaixo mostra como Saturno deve aparecer no céu de Brasília, visto através de um telescópio com aumento de cerca de 120 vezes.


Imagem gerada no Starry Night Digital Download 6

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19.6.07

Júpiter e o Escorpião

Uma das constelações mais fáceis de identificar é a constelação de Escorpião. É uma das poucas que realmente parece com o animal que representa. Nesta época do ano ela estará no céu durante a noite inteira. E se você encontrar o Escorpião, também encontrará o planeta Júpiter, que atualmente está bem próximo. Talvez seja até mais fácil fazer o contrário. Procurar por Júpiter - o astro brilhante que nasce no leste quando o Sol de põe no oeste - e depois tentar identificar o Escorpião. Se você estiver em uma cidade muito iluminada, espere até um pouco mais tarde, depois das nove ou dez horas da noite. Se não houver nuvens deve ser fácil identificá-lo perto do zênite (às vezes é até mais fácil do que na zona rural, pois as estrelas visíveis são as que dão a forma do o escorpião).

Veja a imagem abaixo e depois tente localizar o escorpião no céu. Passe o mouse sobre a imagem para ver como ligar os pontos.


Passe o mouse sobre a imagem para ver o escorpião

Mas não confunda Júpiter com Vênus. Ambos brilham bastante (são os astros mais brilhantes do céu depois da Lua), porém Júpiter está nascendo no leste enquanto Vênus está se pondo no oeste.

Se você procurar por Vênus hoje, irá encontrá-lo perto da Lua, e poderá aproveitar para também identificar o planeta Saturno, que está próximo. Procure a Lua no horizonte por volta das sete horas da noite ou mais tarde. Um pouco abaixo, há um astro muito brilhante que é Vênus. Entre Vênus e a Lua há outro astro brilhante, porém de menor intensidade. É Saturno. Se não houver nuvens, dá para vê-los até mesmo em uma cidade iluminada como São Paulo.


Esta imagem é válida para o dia 19 de junho. No dia seguinte a Lua estará um pouco mais distante.

A imagem acima vale para o dia 19 de junho, mas nos outros dias do mês, Vênus irá se mover muito pouco em relação a Saturno. A Lua é que não estará mais lá. Em julho, por volta do dia 17, haverá nova conjunção de Vênus com a Lua crescente, que estará mais próxima dos dois planetas.

Finalmente, no dia 28 de junho, a estrela brilhante que estará próxima da Lua quase cheia será Júpiter.

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30.1.07

Naughty McNaught mostra o rabo

Meu computador está passando por uns graves problemas de saúde e eu estou toda semana em uma cidade diferente. Isto tomou meu tempo e não consegui terminar o segundo post que eu escreveria sobre cometas. Vou deixar para falar deles em outra ocasião, mas para fechar o assunto, uma galeria de fotos da passagem do surpreendente McNaught.

O sudeste estava coberto de nuvens. Belíssimas nuvens. Nada de cometa. Somente nuvens formando quadros abstratos com a Lua.


Dia 20, na Praça do Por do Sol (São Paulo). Neste dia houve uma conjunção de Vênus com a Lua.

Por sorte, viajei para o sul e finalmente (depois de umas sete tentativas frustradas no Rio e em São Paulo), consegui fotografá-lo em Caxias do Sul.


Dia 22, em Caxias do Sul

Foi o melhor que eu consegui, apesar da névoa, das luzes da e da minha máquina com míseros dois segundos de exposição.

Mas minha foto não é nada diante das imagens abaixo.


Dia 18, na Austrália


Dia 20, em Porto Alegre, por Sandro Eboni

McNaught apareceu sem avisar, e já se foi. Volta, dizem, em cem milênios. Mas antes haverá outros. Sempre existe a possibilidade de um cometa nos surpreender a qualquer momento, passar raspando pela Terra e causar um belo espetáculo.

Mas não foi só o cometa que me supreendeu em Caxias do Sul. No dia em que voltaria para São Paulo, uma chuva repentina impediu que o avião pousasse, e tive que esperar por um ônibus no aeroporto que nos levaria para Porto Alegre. Então, fui até a banca de revista, abri uma conhecida revista de literatura e tive um susto. Vou contar essa história no próximo post, que vai causar uma tempestade.

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17.1.07

Naughty McNaught


Cometa McNaught sobre a Cracóvia no último dia 13 de janeiro (NASA)

“Cometas são estrelas vis. Todas as vezes que eles aparecem no sul, algo acontece para dar um fim ao que é passado, e estabelecer o novo” (Li Ch’un Feng, 602-667 d.C.)*

“Cometas são a fumaça dos pecados humanos, nascendo todos os dias, todas as horas, em cada instante, cheio de miasma e horror diante da face de Deus” (Andreas Celichius, bispo luterano de Altmark, 1578)

“Se cometas fossem causados pelos pecados dos mortais, eles nunca estariam ausentes dos céus” (Andreas Dudith, também bispo de Altmark, 1579)

“Senhor, livrai-nos do diabo, dos turcos e do cometa” (Trecho inserido na Ave Maria pelo Papa Calixto III, em um ato de excomunhão contra o cometa Halley de 1456. Ele acreditava que o cometa tinha ligações com a causa turca e a tomada Constantinopla.)

“Os franciscanos, desarmados, crucifixos nas mãos, estavam no pelotão de frente, invocando o exorcismo papal contra o cometa” (relato da batalha de Belgrado, cidade sob controle cristã assediada pelos turcos por Mohammed II em 1456)

“Em Tenochtitlán, o imperador asteca Montezuma II (1466-1520) estava a espera do grande deus de barbas brancas, Quetzacoatl, que de acordo com as profecias, voltaria ao México para reivindicar seu império. Quando dois cometas brilhantes apareceram em seqüência parecendo encontrar-se no céu, Montezuma tomou como certa a previsão que Quetzacoatl estava a caminho e que o império asteca já não era mais seu. Desconsolado, ele passou a considerar cada incêndio, tempestade ou catástrofe da natureza como sinais que reforçavam essa certeza. O mestre do maior império do ocidente foi reduzido à imobilidade por dois cometas e uma profecia. Então, em 1519, quando o conquistador de barbas brancas Hernan Cortés chegou dos mares orientais com uma força expedicionária de 600 homens e alguns cavalos, Montezuma não precisou de muita persuasão. Ele entregou seu império de volta a Quetzacoatl. Por vários motivos os astecas não resistiram ao pequeno exército de Cortés, mas a conquista e o saque do México, e a aniquilação da civilização asteca foram, em alguma medida significativa, devido ao terror fatalista dos cometas.” (Carl Sagan e Ann Druyan, Comet, Random House, 1985)


Cometa McNaught sobre a Catalunha no último dia 15 de janeiro(Juan Casado)

Atrás das nuvens há um cometa. Por alguns dias tem sido o maior astro do Sistema Solar, superando várias vezes o Sol (estou incluindo a cauda). Chegou aqui no sul na segunda-feira, mas está de passagem e vai embora. Ele chama-se McNaught.

Se as nuvens não estiverem, cubra o Sol e procure à sua esquerda, ou espere o fim da tarde quando a luz diminuir. Nem o Halley, nem o Hale-Bopp brilharam tanto. Faz 40 anos que um cometa não brilha tanto. Não deixe passar. Pode ser que você nunca mais veja um tão brilhante. Amanhã escreverei outro post sobre cometas.

* Todas as citações são do livro Comet, por Carl Sagan e Ann Druyan.

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22.9.06

O Sol da primavera


Manhã de hoje durante o eclipse parcial.
"These late eclipses in the sun and moon portend
no good to us: though the wisdom of nature can
reason it thus and thus, yet nature finds itself
scourged by the sequent effects: love cools,
friendship falls off, brothers divide: in
cities, mutinies; in countries, discord; in
palaces, treason; and the bond cracked 'twixt son
and father. "
(William Shakespeare, King Lear, act I, scene 2)

No final, as nuvens se dissiparam e a Lua escureceu um quarto do Sol na manhã de hoje. Tirei umas fotos. Meu equipamento fotográfico é terrível. Tenho uma câmera digital velha, de 4 anos, 2 mega pixels e que não filma. Por outro lado tenho um telescópio que eu equipei com um filtro especial para apontar para o Sol. Tirei umas 10 fotos equilibrando a câmera na ocular do telescópio. Salvou-se uma:


Foto do Sol usando telescópio ETX-125 com ocular de 40mm.

Minha câmera de vídeo é pior ainda: uma web cam da Creative com resolução 320x240 ligada ao computador. Ela capta luz de forma estranha. Quando apontei para o Sol, no lugar apareceu uma bola preta, como se ela estivesse detectando a sombra da Lua. Mas não tenho certeza. Vou ter que fazer uns testes. Eu gravei um vídeo mesmo assim.


Vídeo gravado às 7h55 do dia 22/09.

Dois eclipses escureceram o país neste ano. Para compensar as superstições de Gloucester (na citação acima), vou terminar com outra citação da mesma peça (Rei Lear):
"This is the excellent foppery of the world, that,
when we are sick in fortune,--often the surfeit
of our own behavior,--we make guilty of our
disasters the sun, the moon, and the stars: as
if we were villains by necessity; fools by
heavenly compulsion; knaves, thieves, and
treachers, by spherical predominance; drunkards,
liars, and adulterers, by an enforced obedience of
planetary influence; and all that we are evil in,
by a divine thrusting on: an admirable evasion
of whoremaster man, to lay his goatish
disposition to the charge of a star!"
(É a resposta lúcida de Edmund, o filho bastardo. Mas oh não! Ele é o vilão! Quem será que está com a razão?)

Atualização
O eclipse em São Paulo cobriu apenas 25% do Sol. No nordeste a crescente ficou bem mais bonita. A foto ao lado, que mostra 68% do Sol encoberto pela Lua, foi tirada pelo meu pai, em Campina Grande, na Paraíba, usando uma câmera digital com filtro.

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21.9.06

O Sol e o equinócio



O Sol, flagrado às 8h20 de hoje, véspera do equinócio de primavera, em São Paulo. Ele tem uma "pintinha"! Amanhã ele tem um encontro com a Lua.

Os Quatro Elementos - O Fogo
(Vinicius de Moraes)

O Sol, desrespeitoso do equinócio
Cobre o corpo da amiga de desvelos
Amorena-lhe a tez, doura-lhe os pelos
Enquanto ela, feliz, desfaz-se em ócio.

E ainda, ademais, deixa que a brisa roce
O seu rosto infantil e os seus cabelos
De modo que eu, por fim, vendo o negócio
Não me posso impedir de pôr-me em zelos.

E pego, encaro o Sol com ar de briga
Ao mesmo tempo que, num desafogo
Proíbo-a formalmente que prossiga

Com aquele dúbio e perigoso jogo...
E para protege-la, cubro a Amiga
Com a sombra espessa do meu corpo em fogo.

Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br

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O anel da primavera


Simulação do eclipse anular de sexta-feira sobre o rio Oiapoque, no Amapá.

A primavera do hemisfério sul vai começar no Brasil com um eclipse anelar do Sol, nesta sexta-feira, dia 22, pouco depois do amanhecer. Há seis meses, foi o outono que começou pouco antes de um eclipse total, também visto no Brasil (veja videos, fotos e relatos no post anterior.) Depois de sexta-feira, os dias voltarão a ser mais longos que as noites.


O eclipse em Oiapoque
O fenômeno será visível em quase todo o país na sua fase parcial. O melhor lugar para vê-lo no Brasil será no município de Oiapoque, no Amapá, que fica próximo da linha central (veja figura abaixo). Acontecerá pela manhã, cerca de duas horas após o amanhecer. No resto do país o eclipse será parcial. As fases parciais dos eclipses anulares são mais bonitas, pois a crescente do Sol encoberto é maior.


A faixa entre as linhas vermelhas mostram onde o eclipse será visto na fase anelar.

A imagem abaixo mostra como o eclipse será visto no seu auge em várias cidades brasileiras. A passagem da Lua pelo Sol durará em torno de duas horas.


O eclipse em várias cidades no Brasil

Na terça-feira consultei a previsão do tempo para a sexta-feira pela manhã em São Paulo e fiquei animado pois havia a possibilidade de haver céu limpo. Ontem a previsão já mudou para céu nublado, então não sei se iremos conseguir ver qualquer coisa. Mas, como as previsões podem falhar, quem sabe se as nuvens não se dissipam na hora do eclipse? A imagem abaixo mostra várias fases do eclipse em São Paulo. O auge do eclipse ocorrerá às 7h42.


O eclipse em São Paulo.

Para observar um eclipse parcial ou anular é preciso tomar cuidados especiais. Nunca aponte um binóculo ou telescópio para o Sol e para observar o Sol diretamente use um filtro de soldador número 11 ou superior (você encontra em qualquer loja de ferragens e custa cerca de R$ 2,00). Não olhe diretamente para o Sol sem proteção ou com óculos escuros.

Leia mais sobre eclipses no meu post de 28 de março: Amanhã o Sol vai nascer escuro.

Informações mais detalhadas sobre o eclipse do dia 22 de setembro podem ser encontradas no site Uranometria Nova dos astrônomos Irineu Varella e Priscilla Oliveira do planetário municipal de São Paulo. Há uma tabela para várias cidades brasileiras com horários, percentagem de cobertura, e outros dados. As simulações da visão do eclipse neste artigo foram calculadas usando as ferramentas do site CalsSky.

Atualização

The Sky
A previsão do tempo agora está mais desfavorável: o Sol só é esperado à tarde. Mas astrônomos são seres otimistas. A previsão para hoje de manhã era de céu nublado e o Sol apareceu. Esta foto ao lado foi tirada da varanda do meu apartamento pouco antes do meio-dia de ontem. O clima muda rapidamente; muda mais rápido que as previsões.

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20.9.06

Vídeos do eclipse total de 29 de março


O vídeo do ecplise total do Sol que eu assisti há seis meses (29 de março) está no YouTube. O vídeo foi feito na praia de Tabatinga (próximo de Natal) por Lucas Medeiros e eu editei as cenas no Movie Maker. Na época escrevi vários posts onde publiquei relatos e fotos:
Bruno Ávila fez outro vídeo que vale a pena assistir e que mostra a fase de totalidade do eclipse inteira sem interrupção.

O assunto está de volta porque haverá outro eclipse do Sol nesta sexta-feira, visível em todo o Brasil. Falarei sobre ele no próximo post.

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4.4.06

Ainda o Eclipse

"Um poeta é um cara que vê um raio cair numa noite de inverno: ele pega um lápis e um papel e desenha o que viu: um ziguezague cheio de ramificações. É o raio. As pessoas olham aquilo que ele fez e dizem: 'Que bonito!', e o poeta balança a cabeça e diz, 'Que bonito que nada, o que eu vi era muito mais bonito do que isso.'"
(Braulio Tavares, Os Martelos de Trupizupe, Edições Engenho de Arte, Natal, 2004)
Relatar algo como um eclipse deve ser como escrever um poema. Por melhor que seja a narrativa, por mais belas que sejam as fotos, é apenas uma impressão do que foi visto. Eu não estava pensando em escrever mais outro artigo sobre o eclipse (este é o terceiro seguido) mas tenho novidades que valem a pena compartilhar.

Vídeo do eclipse

Depois que eu publiquei o post anterior recebi a informação de que Lucas Medeiros, que estava no nosso grupo que viajou para Tabatinga, havia gravado vídeos do eclipse. Eu editei as cenas e fiz um vídeo mas o arquivo ainda ficou grande. Quando eu tiver um pouco mais de tempo tentarei reduzir seu tamanho. Está em formato WMV (Windows Media), tem 25,8 MB e resolução de 640x480. Baixe-o a partir do link abaixo:
Quem assisti-lo conseguirá ter uma noção melhor do que foi o dia virar noite ao amanhecer. Não são apenas imagens, mas também os sons das pessoas, do vento e das ondas. O vídeo está mais escuro que as fotos. Se puder fazer ajustes na exibição, aumente o brilho em 20% e o contraste em 40% para ver a praia, as nuvens e outros detalhes nos momentos mais escuros.

Para quem não quiser baixar o vídeo, eu capturei 10 imagens dele que podem ser vistas a partir das miniaturas ao lado. As fotos ocorrem num período de aproximadamente dois minutos e não estão igualmente espaçadas. A escuridão da fase total durou um minuto e meio. As fotos que mostram o céu escurecendo ou clareando aconteceram com poucos segundos de intervalo.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na hora da totalidade foi o comportamento dos animais (isto não aparece no vídeo.) Quando o dia escureceu, vários (acho que uns 40 ou 50) passarinhos que sobrevoavam a praia pousaram ao mesmo tempo na areia e ficaram andando na praia, bem perto das ondas, molhando os pés. Andavam todos juntos, fugindo das ondas. Pareciam confusos. Era algo incomum e chamou a atenção de todos. Uma menina correu na direção deles e os espantou, mas eles não voaram alto. Pousaram novamente mais adiante em outra parte da praia, e ficaram brincando de fugir das ondas. Depois que clareou eu os procurei novamente, mas eles já tinham ido embora.

Fotos de satélite

Através da lista do CASP (Clube de Astronomia de São Paulo), recebi de Valmir de Morais o link para uma animação criada a partir de fotos do satélite Meteosat-8 que mostra a sombra da Lua passando sobre a Terra. A animação foi produzida por Rick Kohrs, da universidade de Wisconsin-Madison. Não é um vídeo. É uma animação interativa. Pode-se controlar a velocidade em que as imagens são exibidas.

Há duas versões. Uma em baixa resolução e outra em alta resolução. A maior demora mais para carregar mais vale a pena. São animações em Java, portanto seu navegador deve suportar e permitir a execução de programas em Java.

A foto abaixo mostra um trecho da animação revelando a sombra da Lua sobre parte do Brasil ao amanhecer do dia 29 de março.



Outro eclipse ainda este ano

Finalmente, para os que perderam este eclipse, e para os que decidiram tornar-se caçadores de eclipses, antes de 2023 haverá um eclipse anular visível do Brasil. Será em 22 de setembro deste ano. Não irá escurecer a Terra como o de quarta-feira passada, mas será um espetáculo bastante interessante.


Simulação do eclipse sobre o rio Oiapoque, no Amapá.

O fenômeno será visível em quase todo o país na sua fase parcial. O melhor lugar para vê-lo no Brasil será no município de Oiapoque, no Amapá, que fica próximo da linha central. Acontecerá pela manhã, cerca de duas horas após o amanhecer. As fases parciais dos eclipses anulares são mais bonitas, pois a crescente do Sol encoberto é maior. A imagem ao lado ilustra como o eclipse seria visto da cidade de Oiapoque.

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29.3.06

Hoje eu vi o olho de Deus


Eclipse total do Sol, fotografado hoje, em Tabatinga, RN

“Lá estava o olho de Deus novamente, assustador e magnífico. Após a luz azul-metálica nos envolver por completo, fui invadido por uma vaga sensação de terror, ao mesmo tempo primordial e sublime. Essa luz não vinha deste mundo, mas de um mundo que existe além do tempo; mais uma vez, passados 34 anos, eu vislumbrava o eterno nos céus.” Marcelo Gleiser, físico e escritor, ao presenciar pela segunda vez, aos 40 anos um eclipse total do Sol (trecho de “O fim da terra e do céu”)

Hoje de madrugada viajei para o Rio Grande do Norte em uma van fretada pela ONG Nova Consciência, que organizou as palestras que ministrei aqui, em Campina Grande, sobre o eclipse do Sol. Éramos 17. Partimos de Campina Grande às 23 horas de ontem com destino a Tibau do Sul. Felizmente, nos perdemos e passamos reto, chegando em Nísia Floresta. Então, já que havíamos errado o caminho, mudamos de idéia e fomos para Barra de Tabatinga, que era a praia mais próxima. Felizmente, porque Tibau teve tempo encoberto. Quando chegamos, ainda era madrugada e faltavam mais de duas horas para o Sol nascer. Ficamos conversando, caminhando na praia, molhando os pés nas ondas da maré que já baixava. Observamos as estrelas, os planetas e as luzes piscantes que cruzavam o céu noturno. Vimos as nuvens chegarem e torcemos para que ficassem longe. Aos poucos, o céu foi clareando, as nuvens foram aumentando, mas nunca o céu ficou encoberto. Escolhemos o melhor lugar. Parecia que havia uma clareira aberta somente para nós. Havia nuvens dispersas ao norte, na direção de Natal, e ao Sul nuvens densas cobriam o céu na região de Tibau do Sul, onde estaríamos caso não tivessemos errado o caminho. No lugar onde estávamos, conseguíamos ver as estrelas, as constelações e Vênus, cuja luz atravessava as fracas nuvens e refletia nas ondas do mar.

Uma hora antes do Sol nascer, as estrelas já começavam a sumir e as nuvens destacavam-se no céu que já clareava. Às cinco horas da manhã, quando ainda faltavam 23 minutos para que o Sol despontasse, o dia já estava bastante claro.


O horizonte pouco antes do nascer do Sol

Às 5h23, conseguimos ver o Sol nascendo pontiagudo, no mar. Havia uma pequena brecha nas nuvens mas ela logo fechou-se. Não deu tempo fotografar. Devido às nuvens, não conseguimos acompanhar o nascimento do Sol, e só o encontramos alguns minutos depois, quando ele surgiu em forma de crescente num pequeno espaço entre as nuvens.


O Sol pouco depois de nascer aparecendo entre as nuvens

As nuvens também não permitiram que conseguíssemos assistir ao início da totalidade, mas o céu foi ficando cada vez mais escuro. E foi rápido. Tudo durou menos de um minuto. Era como se alguém tivesse reduzido a luz solar com um dimmer. No fim, o céu estava tão escuro quanto uma hora antes do Sol nascer. Não vi o Sol, mas senti o silêncio de sua sombra.


O momento do início da totalidade, atrás das nuvens

A totalidade durou um minuto e meio. Felizmente, antes que ela chegasse ao fim, as nuvens se afastaram e foi possível contemplar o disco negro contornado pela coroa solar, que mostrou-se numa cor alaranjada e suave. Nessa hora, não afastei os olhos do Sol, e por isto quase não tirei fotos. Tirei três. As duas melhores estão abaixo.


O "olho de Deus", parcialmente encoberto pelas nuvens


A praia escura e o Sol negro no horizonte

A totalidade é assustadora, fascinante, poética. Eu ainda não sei como descrevê-la em palavras. Teria que me inspirar, talvez, e escrever poesia. Concordo com Marcelo Gleiser. Parece mesmo algo que não é deste mundo. A racionalidade não ajuda muito. É simplesmente a Lua passando na frente do Sol, mas na hora não se pensa nisso. Só posso descrever a experiência como espiritual. Não sei que outra palavra usaria. Parece que tudo fica mais lento, mais estranho. Aves reunem-se na praia e caminham juntas, como se não soubessem para onde ir. O som do vento parece ser outro; o ruído das ondas não é o mesmo. Foi uma experiência inesquecível. Fitei o olho negro do Sol, concorrendo com as nuvens que vez ou outra atravessavam-se na sua frente, até que ele finalmente renasceu com um brilho intenso.


O Sol pouco depois do término da fase de totalidade, por volta das 5:36

Tive que trocar os filtros. O filtro no. 14 era muito forte para ver o anel de brilhante com nuvens ao amanhecer. Acabei não fotografando.

O eclipse ainda durou uma hora. As fotos abaixo mostram várias etapas da fase parcial. O dia foi clareando novamente, e as coisas foram gradualmente voltando ao normal.


Por volta de 5:40. A cor verde é da lente de soldador no. 10.


A Lua se afastando.


O Sol crescente, de mais perto.


Usando filtro especial.


Hipnotizados pelo Sol.

O eclipse terminou com o céu encoberto pelas nuvens. Não esperamos até o fim (que seria às 6:34). Pouco antes das 6:30 voltamos para Campina Grande. Ainda não recuperei totalmente a razão, mas acho que é assim mesmo; leva algumas horas. Estou ansioso pelo próximo. O próximo eclipse total na Paraíba será em 2045, mas haverá outros pelo mundo. E em 22 de setembro deste ano, teremos ainda um eclipse parcial visto de todo o Brasil.

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