Que tal ir para o Inferno?
Eu disponibilizei para download minha tradução do Inferno de Dante, em PDF, para impressão. São 250 páginas. O arquivo tem 4Mb. Fica melhor (e menor) se imprimir frente-e-verso. Você vai precisar do Adobe Acrobat Reader ou compatível para ler e imprimir o arquivo.Em 1999 publiquei na Web uma tradução da Divina Comédia de Dante Alighieri que hoje está no site www.stelle.com.br e pode ser lida online. Se você tem vontade de ler a Divina Comédia e apreciar sua poesia, sua música, seus efeitos sonoros e suas narrativas dramáticas, leia em italiano. Nenhuma tradução preserva a simplicidade e a musicalidade dos versos de Dante. No mínimo, procure uma edição bilíngüe. Mas se quiser ler a história em português como se lê um romance, então leia uma versão em prosa como a minha.
Sempre recebo emails de leitores do meu site sobre a Divina Comédia, mas nunca tive o cuidado de comparar as estatísticas de acesso ao site. Surpreendi-me ao descobrir que ele tem dez vezes mais acessos diários que este blog, mesmo sendo um site estático que praticamente não mudo há quase seis anos. Tenho um monte de leitores que nunca vieram aqui.
Já me perguntaram e eu não sei responder porque decidi fazer essa tradução. Foi por acaso. Era o livro que eu estava lendo no momento que veio a vontade. Poderia ter sido outro. Qualquer outro. Poderia escrito algo original. Não sou cristão nem sou religioso e a Divina Comédia nem é meu clássico favorito, e nem mesmo o meu estilo favorito de obra clássica. Me interesso muito mais por obras como o Decamerão, de Boccacio e Histórias, de Heródoto. Eu nem gosto muito de chamar o que eu fiz de "tradução" pois o original é um poema e comecei adaptando do inglês e não do italiano, por diversão, sem pretensão alguma. Foi só mais uma das coisas que comecei. Eu sempre começo. Começo mil coisas e consigo terminar meia dúzia, às vezes nem isto, se é que eu termino alguma coisa. Acho que comecei porque queria entender, e continuei porque seria um desafio, porque iria ter um pretexto para estudar italiano, porque adoro história, porque gosto de estudar religiões, porque sinto prazer em pesquisar qualquer coisa, interpretar, traduzir, inventar, porque gosto de escrever, porque quero aprender a escrever melhor.
Decidi ler a Divina Comédia depois de ler os Lusíadas e ficar boiando nas referências que o autor fazia à obra de Dante. Na época eu estava terminando um mestrado e escrevendo uma série de livros de Web Design (nunca terminados) para usar como apostilas em treinamentos, e buscava um exemplo de site cujo conteúdo se lê em seqüência. Usei seis cantos do meu resumo do Inferno. Me perguntaram sobre os outros cantos, então aumentei o site. Procurei corrigir, melhorar, rescrever, fui me aprofundando, e acabei me envolvendo por dois anos com a obra de Dante. Depois me dispersei. Quando leio muito meus interesses se espalham. Me apaixonei pelos pecadores do Inferno. Foi Dante me me mostrou Epicuro. E assim como Virgílio guiou Dante, Aristóteles me levou a Peter Singer, por Santo Agostinho me aproximei de Voltaire e Nietszche e conheci Sade. Em pouco tempo eu estava em outro universo e não dava mais para suportar as sumas teológicas de Tomás de Aquino, nem mesmo quando ele fala em terça rima na esfera do Sol.
Então me perguntam quando eu vou terminar de traduzir a obra toda. A resposta é: eu não sei. Primeiro, eu considero que terminei duas obras (Inferno e Purgatório), e não dois terços. Nem todo mundo concorda. Pessoas que poderiam ter interesse em publicar meu livro não concordam. Isto só já seria um bom motivo para terminar o Paraíso. Não é minha prioridade no momento (mas passará a ser caso alguma editora com distribuição nacional tenha interesse em publicar a obra) Para continuar, teria me envolver com a Divina Comédia de novo. Talvez eu esteja mesmo condenado a não entrar no Paraíso. Para entrar vou precisar de um guia, mas Dante me deixou. Acho que não dá para entrar sem guia. Até o Alexandre Soares Silva precisou de um guia (um anjo ateu como guia não seria nada mal, só não sei se o Paraíso seria o de Dante.)
Mas já me desviei do assunto deste post. Escrevi-o para responder a segunda pergunta mais freqüente que recebo. Não é pergunta, é um pedido: "por favor me envie a obra toda para que eu possa ler offline." Eu tinha criado um serviço para enviar os cantos por e-mail, mas não é a mesma coisa. Então agora disponibilizo os livros em formato para impressão. Vou começar pelo Inferno. Semana que vem (se eu tiver tempo) eu faço o mesmo com o Purgatório, e assim terei duas perguntas a menos que não precisarei responder.
Marcadores: livros










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