3.12.04

Dionísio, o deus persa da guerra

Cortejo Triunfal de Dionpisio - Museu de Sousse

Após ler um trecho do primeiro livro de Heródoto - o "pai da História", conclui que os persas devem ter contratado um deus grego como conselheiro de guerra. Não era Ares (Marte), o deus da guerra, mas Dionísio (Baco), o deus do vinho. E, aparentemente, funcionou bem por muito tempo. Eis o que disse Heródoto:
"É costume entre os persas deliberar sobre assuntos de grande importância quando estão bêbados. No dia seguinte, quando sóbrios, a decisão a que chegaram na noite anterior é apresentada pelo dono da casa onde ela foi tomada, antes que comecem a beber novamente. Se for aprovada, eles a levam adiante. Se não for, abandonam o assunto. Às vezes, porém, acontece de estarem sóbrios durante a sua primeira deliberação. Neste caso sempre reconsideram a questão sob a influência do vinho."1
Os persas, uma pequena tribo de bárbaros montanheses, amantes da farra e do vinho, tomaram milionária Lídia, a poderosa Babilônia, o milenar império egípcio e estenderam seu império da Itália até a Índia. Dionísio, que na Grécia já acumulava funções de deus do teatro, da fertilidade, da embriaguez e do vinho, aparentemente quis brincar de guerra no teatro do mundo. Com sua ajuda etílica, os persas tornaram-se os donos do planeta por mais de dois séculos.

Mas o que é bom não dura para sempre. Um belo dia, o rei Dario, sucessor de Ciro, cismou de importunar os gregos. Estes, que nunca aceitaram o domínio persa, rebelaram-se e Dario declarou guerra a Atenas. Foi uma das piores idéias que alguém já teve em toda a história. Nessa hora, Dionísio deve ter feito as malas e se demitido. Deixou como presente (de grego) uma ressaca tremenda para os persas, que sofreram as derrotas mais espetaculares já vistas e nunca mais conseguiram pôr os pés em Atenas. Faltou embriaguez para concluir que um exército de 100 mil certamente perderia para um de 10 mil. Contra os deuses, não há razão que vença.

Moral da história: 1) não basta analisar as coisas à luz da razão, é preciso também testar sua viabilidade à luz da sabedoria etílica; 2) recomenda-se que decisões tomadas em estados alterados sejam reavaliadas nos estados racionais; 3) não se deve tomar decisões se estiver de ressaca, principalmente se as decisões atingirem atenienses, bêbados, atores e outros protegidos de Dionísio.

1 Heródoto, Histórias. Livro 1: Clio. Traduzi esse trecho de uma edição em língua inglesa traduzida por George Rawlingson.

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12/03/2004 09:24:00 PM  
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12/06/2004 10:47:00 AM  
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12/07/2004 11:40:00 PM  
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12/09/2004 04:11:00 PM  
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12/10/2004 09:29:00 AM  
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10/23/2006 05:05:00 PM  
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10/29/2007 09:53:00 PM  
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8/12/2008 09:51:00 AM  
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11/12/2008 11:31:00 AM  
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11/12/2008 11:32:00 AM  

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