As horas
As horas estão passando e nada acontece. Não sinto nada. Nem dor, nem alegria. Estou só, como sempre, mas não estou incomodado com isto. A casa está um caos, as contas estão atrasadas, fiz quase nada do que eu achei que seria importante fazer. Agitei mil idéias, um dia, no chuveiro. No fim, criei uma calmaria, e nada se fez. O caos silencioso avança, perigosamente. Ignoro a possibilidade de uma tempestade iminente; de certa forma, desejo-a, para trazer de volta o risco da morte, para ter certeza que ainda vivo.
Um parágrafo. Sete minutos se foram, e sete dias. Não percebi que se passaram sete anos. Mais que isto. E ainda estou aqui, sentado, escrevendo, e ainda sem entender para que serve tudo isto. Sentir nada deve ser algum tipo de defesa contra a irracionalidade da escolha de uma solidão voluntária. De que me servem esses livros todos? Esses mortos. Queria ouvir histórias de pessoas vivas. Histórias simples. Os mortos me contaminam. Não consigo mais contar as histórias simples.
Eu podia deixar tudo isto. Este silêncio. Este quarto frio. Parece tão fácil fazer isto. Aqui eu não crio nada que não poderia criar em outro lugar, mais próximo das pessoas que me amam. O telefone e a Internet são analgésicos; atenuam o desespero, acalmam. Às vezes eu acho que inventamos este mundo para tocar nas pessoas, para abraçar, para ficar muito, muito perto. Eu queria, agora, deitar no colo de minha avó e ouvir as canções que ela cantava quando eu era criança. Quero ouvir as histórias que ela conta. Estive lá há uma semana, quando ela fez 93 anos. Voltei há poucos dias. Foi pouco, muito pouco. Estou longe, e não acho que nada que faço aqui, longe, sozinho, é mais importante que estar lá, perto dela.
E com isto, se foram outros 36 minutos, digitando. As coisas estão do mesmo jeito, no mesmo lugar. Aqui, silêncio. Lá fora, a cidade agita-se. E o relógio da sala não pára.
Um parágrafo. Sete minutos se foram, e sete dias. Não percebi que se passaram sete anos. Mais que isto. E ainda estou aqui, sentado, escrevendo, e ainda sem entender para que serve tudo isto. Sentir nada deve ser algum tipo de defesa contra a irracionalidade da escolha de uma solidão voluntária. De que me servem esses livros todos? Esses mortos. Queria ouvir histórias de pessoas vivas. Histórias simples. Os mortos me contaminam. Não consigo mais contar as histórias simples.
Eu podia deixar tudo isto. Este silêncio. Este quarto frio. Parece tão fácil fazer isto. Aqui eu não crio nada que não poderia criar em outro lugar, mais próximo das pessoas que me amam. O telefone e a Internet são analgésicos; atenuam o desespero, acalmam. Às vezes eu acho que inventamos este mundo para tocar nas pessoas, para abraçar, para ficar muito, muito perto. Eu queria, agora, deitar no colo de minha avó e ouvir as canções que ela cantava quando eu era criança. Quero ouvir as histórias que ela conta. Estive lá há uma semana, quando ela fez 93 anos. Voltei há poucos dias. Foi pouco, muito pouco. Estou longe, e não acho que nada que faço aqui, longe, sozinho, é mais importante que estar lá, perto dela.
E com isto, se foram outros 36 minutos, digitando. As coisas estão do mesmo jeito, no mesmo lugar. Aqui, silêncio. Lá fora, a cidade agita-se. E o relógio da sala não pára.










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